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CNT faz raio X do transportador de carga no Brasil
Gestão

CNT faz raio X do transportador de carga no Brasil

Levantamento inédito da CNT traz informações sobre a realidade dos empresários em meio as atuais dificuldades econômicas e sanitárias

Andrea Ramos

25 de abr, 2022 · 10 minutos de leitura.

Estudo inédito da CNT
Estudo da CNT
Crédito:TuSimple/Divulgação
Estudo da CNT

Confederação Nacional do Transporte (CNT) divulgou a primeira edição da Pesquisa CNT Perfil Empresarial. Como o nome sugere, o estudo traz um raio X do empresário do setor de transportes. E revela como as companhias estão lidando com o atual cenário de incertezas econômicas.

Segundo o presidente da CNT, Vander Costa, a pesquisa visa conhecer os empresários que atuam em um mercado conhecido pelas constantes variações. ?Com os resultados dessa pesquisa, podemos mostrar a contribuição do segmento para o crescimento do Brasil. Assim como identificar os entraves enfrentados pelos transportadores e construir soluções.?

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Portanto, com base nos dados revelados na pesquisa, a CNT poderá monitorar o desempenho do segmento. Bem como trazer à tona as principais reivindicações do setor.

O tamanho do setor do transporte rodoviário de carga (TRC)

Vale ressaltar que operam no mercado de transporte de carga cerca de 266 mil empresas. Por sua vez, o número de transportadores autônomos supera os 847 mil. Além disso, há 519 cooperativas de transporte rodoviário de cargas. Como resultado, a frota do setor é de 2,5 milhões de veículos, entre caminhões e implementos rodoviários. Ou seja, 70% a mais do que o registrado há 15 anos.

Segundo a CNT, das 464 empresas que participaram da pesquisa, 59,3% estão no mercado há mais de 20 anos. As que têm entre 15 e 20 anos são 12,7% e as entre 10 e 15 anos, 13,1%. As abertas entre cinco e 10 anos são 11,2% e as que atuam há menos de cinco anos são 3,7% do total.


O levantamento identificou ligações entre o porte e o tempo de atuação dessas empresas no setor. Ou seja, o porcentual de companhias de médio e grande portes aumenta conforme cresce a faixa de tempo de atuação no mercado. Em outras palavras, 17,6% foram abertas a até cinco anos, 30,8% têm entre cinco e 10 anos, 37,7% foram abertas há 15 anos, 54,2% a até 20 anos e 78,2% há mais de 20 anos.

O perfil das empresas

Dos entrevistados, 42,5% afirmam que escolheram o setor de olho nas oportunidades de negócio. Além disso, 38,6% disseram se tratar de atividade familiar e 15,1% vieram de outras modalidades de transporte.

De acordo com a pesquisa, as motivações também variam de acordo com o porte das empresas. Ou seja, no caso das empresas de médio e grande portes, 44,2% são familiares, ainda que 40% informem que as oportunidades de mercado lhes sejam próximas. Já nas de pequeno porte, há um claro predomínio das oportunidades de mercado (49,6%). Já as familiares são 27,6% do total.


Ademais, as famílias das 79,3% transportadoras entrevistadas gerem seus negócios. Já as demais 20,7% são administradas por profissionais do mercado.

Estudo inédito da CNT
VWCO/Divulgação

Preço do diesel e do frete impactam o setor

As frequentes altas do preço do diesel foram apontadas por 82,3% dos entrevistados como o fator que mais traz dificuldades ao setor. Outra queixa está ligada à elevada carga tributária, de acordo com 56,5% dos entrevistados. Depois, aparece a dificuldade de reajustar os valores do frete, apontada por 40,1% das empresas.


A pesquisa mostra que 99,89% dos veículos dessas empresas são a diesel. Já o gás natural veicular (GNV) e a eletricidade respondem por apenas 0,11% do total da frota. Assim, a dependência quase total de combustíveis fósseis dificulta a gestão financeira. Bem como afeta suas margens de lucro.

Nesse sentido, 82,3% dos empresários apontam que o preço do diesel é o maior entrave da operação. E 87,5% não concordam com a política de preços de combustíveis adotada no País.

Estratégias para reduzir custos com diesel

Segundo as empresas, a alta dos insumos também prejudica o setor. Assim, o gerenciamento criterioso é fundamental. Dessa forma, as companhias implementam práticas de condução econômica. Bem como buscam reduzir os custos de aquisição de diesel. Nesse sentido, uma solução é a implantação de pontos próprios de abastecimento.


De acordo com o estudo, essa solução é adotada por 55% das empresas participantes. Além disso, o número é maior entre as companhias de maior porte. Ou seja, o serviço está em 73,7% das grandes e em 58,3% das médias. Por sua vez, apenas 22,2% das microempresas e 35,4% das pequenas contam com esse recurso.


Manutenção da frota

Do mesmo modo, realizar a manutenção da frota em oficinas próprias ou terceirizadas impactam os custos. Das empresas participantes da pesquisa, 44,4% utilizam apenas oficinas terceirizadas. Além disso, 40,5% recorrem aos dois tipos de atendimento. Por fim, 13,4% utilizam apenas oficinas próprias.

Além disso, das que utilizam oficinas terceirizadas, 24,4% são microempresas. As próprias são utilizadas por 37% das pequenas e 47,6% por médias empresas. No caso das grandes, são 74,1%.


Perfil da frota das empresas

A maior parte, ou 50,6% das transportadoras, não conta com programa de renovação de frota. Por outro lado, o fato de 47,4% das empresas contarem com programas próprios é um dado considerado muito positivo pela CNT.

Seja como for, a idade média dos veículos é menor conforme aumenta o porte da empresa. Dessa forma, apenas 11,1% das microempresas têm programa próprio de renovação. No caso das pequenas, o número é de 25,2%. Nas médias e grandes, são 45,2% e 70,7%, respectivamente.

Estudo inédito da CNT
Buonny/Divulgação

Práticas sustentáveis

As empresas que participaram do estudo informam que se preocupam com questões ambientais. Assim, 59,6% delas têm algum tipo de ação nas operações. Dentre as medidas, destacam-se o monitoramento do uso de combustível (39%) e das emissões de poluentes (30,6%). Bem como a destinação correta de resíduos (30,2%) e a gestão de uso de energia elétrica (26,5%).

Acidentes nas rodovias

A preocupação com acidentes também é um ponto importante para os empresários. Em 2021, foram registradas 64.452 ocorrências nas rodovias federais. Isso gerou um custo de R$ 12,19 bilhões. Desse total, 27,3% envolveram caminhões.

Nesse sentido, segundo a CNT, 47,2% dos empresários afirmaram que seus veículos não se envolveram em acidentes nos últimos 12 meses. Por outro lado, 39,5% registraram de um a cinco acidentes. E 4,5% informaram que seus veículos se envolveram em algum acidente entre seis e dez vezes no período.


Roubo de carga

Os roubos de carga são outro entrave à operação do transporte rodoviário. De janeiro e outubro de 2021, foram registrados cerca de 11 mil roubos nas estradas brasileiras. Ou seja, 62,5% das entrevistadas informaram que seus veículos foram alvo de ações desse tipo.