Redação

14/03/2021 - 5 minutos de leitura. Atualizado: 12/03/2021 | 17:01

Volvo e Daimler concluem acordo para produção de células a combustível

Com a parceria, as fabricantes de caminhão criam um única empresa com foco em células a combustível. Objetivo é se tornarem referência nessa tecnologia

células a hidrogênio
Crédito: Daimler Trucks/Divulgação

Os grupos Volvo e Daimler concluíram um acordo para a criação de uma parceria que se dedicará ao desenvolvimento, produção e comercialização de sistemas de células a combustível. Para criar essa parceria, o grupo Volvo adquiriu 50% das ações da Daimler Truck Fuel por cerca de 0,6 bilhões de euros à vista e livre de dívidas. Em reais, é algo em torno de R$ 4,16 bilhões.

As conversas se iniciaram no ano passado. Em novembro as empresas já haviam assinado um contrato e em abril um acordo vinculativo.

O objetivo dos parceiros é se tornar referência global em células a combustível. Essa meta, portanto, faz parte dos esforços da indústria para zerar as emissões de poluentes gerada por combustíveis fosseis até 2050. Ou seja, atender os objetivos do Real Deal Europe, que na tradução livre para o português significa Acordo Verde.

Com essa iniciativa, devem também gerar empregos, fomentar inovações tecnológicas e a reciclagem.

De acordo com as empresas, a ideia  é iniciar testes com caminhões em seus clientes durante três anos. No entanto, o início da produção será na segunda metade desta década.

O Grupo Daimler e o Grupo Volvo possuem participação igual na joint venture. Mas continuam a ser concorrentes em todas as outras áreas. Como tecnologia de veículos e integração de células de combustível em caminhões.

Células a combustível geram eletricidade

A célula a hidrogênio, ou a combustível, foi criada na Inglaterra em 1839 por Sir William Grove. Mas não decolou. Naquela época as fontes de energia eram abundantes. E a preocupação com a poluição ambiental simplesmente não existia. Portanto, um cenário totalmente diferente dos dias atuais.

Diferentemente dos veículos elétricos convencionais, os que são a célula a combustível são, na verdade, movidos a eletricidade. No entanto, a principal vantagem é que, diferentemente dos elétricos convencionais, as baterias não precisam ser recarregadas na tomada.

A célula a combustível serve para gerar a eletricidade que fará o motor funcionar. O sistema transforma o hidrogênio em eletricidade. Não há combustão, tampouco emissão de poluentes. Pelo escapamento sai apenas água.

A grosso modo, o sistema transforma energia química em elétrica. Entre as vantagens em relação à energia gerada pela queima de combustíveis fósseis é que não há perdas.

O sistema produz baixíssimo impacto ambiental. Ou seja, não há vibrações, ruídos, combustão, emissão de material particulado ou gases poluentes.

O principal elemento utilizado nas pilhas a combustível é o alumínio. A vantagem, portanto, é que esse metal é 100% reciclável. Isso resolve um dos grandes problemas dos elétricos convencionais. A produção das baterias gera muita poluição. Aliás, a sua reciclagem é complicada e cara.

Realidade distante do Brasil

No entanto, a célula a hidrogênio ainda é uma realidade bastante distante para caminhões e ônibus no Brasil. Até o momento, nenhuma fabricante considera o desenvolvimento dessa tecnologia por aqui.

Em contrapartida, há interesse em produzir caminhões elétricos e movidos a gás. A Volkswagen Caminhões e Ônibus começará a produzir ainda neste ano o modelo E-Delivery a baterias elétricas. E a Scania já produz o modelo R 410 6×2 movido a gás desde o fim de 2019.

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