Andrea Ramos

25/05/2021 - 11 minutos de leitura.

Transportadoras digitais avançam na pandemia

Com a evolução tecnológica, cada vez mais transportadoras estão digitalizando seus processos e, assim, ganhando agilidade e reduzindo custos

Transportadora digital
Transportadora digital Crédito: Buony/Divulgação

As transportadoras estão cada vez mais digitais. Isso tem muito a ver com o isolamento social e o trabalho á distância. Ou seja, houve um grande avanço do comércio eletrônico.

Portanto, as empresas tiveram de melhorar a eficiência. Além disso, precisam oferecer preços competitivos.

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Nesse sentido, as tecnologias ganharam papel fundamental. De olho nisso, empresas que investiram na digitalização estão se saindo bem. Com isso, integram o grupo das chamada transportadoras digitais.

Como resultado, elas automatizaram suas operações. E apostam na redução de custos. Porém, essa mudança não é nada simples.

Transportadoras resistem às mudanças

Inicialmente, é preciso vencer a resistência dos próprios funcionários. Segundo o especialista em tecnologia e inovação, Arthur Igreja (foto abaixo). Contudo, ele afirma que a tendência veio para ficar. .

De acordo com Igreja, as transportadoras familiares são as que mais sofrem. “Muitas têm resistência ao novo por serem administradas pela primeira ou segunda geração”, diz.

Porém, o setor tem margens apertadas. Assim, o uso de novas tecnologias é questão de vida ou morte. “Quem não adotar, vai desaparecer. Não se trata de opção”, afirma.

Digitalização no transporte

A digitalização surgiu da necessidade de haver maior controle da operação. Segundo Igreja, nas transportadoras isso começa com o rastreamento dos veículos e da carga.

“Trata-se de uma cadeia integrada”, diz. “Quando o consumidor compra pelo e-commerce, pode acompanhar o envio. Para as transportadoras, isso permite um maior controle dos custos”, diz Igreja.

Segundo ele, um bom exemplo é o monitoramento. Ou seja, é possível saber até quanto de combustível está sendo  consumido. Assim, dá para calcular o preço do quilômetro rodado e da manutenção.

Infraestrutura precária

Porém, o País carecer de infraestrutura. Ou seja, nem sempre dá para saber onde o veículo está de forma remota. Assim, esses custos representam cerca de 8% do faturamento bruto das empresas.

Portanto, a digitalização pode ajudar a reduzir custos. Assim como tornar a operação mais segura. Bem como contribuir para o cumprimento de prazos.

Logo, as transportadoras digitais são mais eficientes. Assim, não precisam nem ter frota própria. Podem trabalhar por meio de conexões e atender clientes indiretos.

Crescimento terceirizado

Assim, conseguem crescer contratando outras empresas. Ou seja, terceirizando o serviço. Um bom exemplo é a Uber.

Ela trabalha com uma frota enorme mas não é dona dos veículos. Ou seja, seu foco são o controle e a gestão.

Nesse sentido, as transportadoras digitais trabalham de maneira mais enxuta. Portanto, têm menos ativos para cuidar. Aliás, essa é uma tendência no mundo todo.

Um receio de muitas empresas é o investimento pesado em softwares. Bem como em treinamento de pessoal. Isso porque elas têm dificuldade de prever quando e de quanto será o retorno.

Crescimento terceirizado

Seja como for, já há transportadoras que nasceram digitais. É o caso da Flash Courier, que utiliza tecnologias de ponta, como inteligência artificial.

CEO da companhia, Guilherme Juliani (foto abaixo) diz que há cada vez mais empresas tradicionais adotando algum sistema digital. “Mesmo porque os embarcadores estão se digitalizando. Além disso, nem sempre é preciso fazer altos investimentos.”

Segundo ele, há bons softwares disponíveis por cerca de R$ 1 mil por mês. É o caso de sistemas de emissão de notas fiscais e de conhecimento de transporte.

“Não é preciso preencher documentos. Além disso, eles evitam erros e dinamizam a comunicação com o embarcador”, diz.

Roteiro automatizado

Automatizar as rotas é cada vez mais comum. Sobretudo nas transportadoras que operam grandes números de rotas.

Esses softwares indicam os caminhos mais curtos ou que têm menos trânsito. Ou seja, ajudam a reduzir o consumo de combustível e os custos com horas-extras.

CEO da AgregaLog, Jarlon Nogueira (abaixo) diz que um dos desafios é utilizar essas inovações da forma mais eficiente possível. Essa reflexão faz pensar sobre as diferenças entre as transportadoras tradicionais e as digitais.

Para entender essas particularidades, o Estradão listou cinco grandes tópicos. Os temas surgiram das conversas com especialistas. Confira o resultado abaixo:

Uso de novas tecnologias

Fundamental em um cenário em que é preciso fazer mais com menos. Porém, difere bastante quando comparamos transportadoras tradicionais e digitais.

Tradicionais: Ainda está aprendendo a utilizar as ferramentas digitais. Tem receio de investir porque não sabe com medir o retorno.

Digitais: Utiliza soluções de ponta, como aplicativos para celular, inteligência artificial e big data para oferecer serviços de melhor qualidade.

Canais de contato

Cada vez mais, a comunicação com clientes e fornecedores deve ser rápida e eficiente. Todos precisam de respostas imediatas, sobretudo no momento de tomadas de decisão.

Tradicionais: Geralmente o contato é feito por telefone, e-mail ou até pessoalmente. Isso pode dificultar o processo.

Sobretudo se o atendimento não estiver disponível no momento em que o cliente ou fornecedor mais precisa.

Digitais: Por meio de sistemas como aplicativos para celular, os processos são registrados e podem ser consultados de forma clara e em tempo real.

Caso seja necessária uma informação mais detalhada, é possível enviar mensagens, que serão respondidas rapidamente.

Contratação de frete

É preciso oferecer uma boa experiência na contratação do frete. Ou seja, algo simples de ser feito, com o menor custo, o menor prazo e a melhor qualidade de serviço possíveis.

Esta é provavelmente a principal diferença entre as transportadoras tradicionais e digitais.

Tradicionais: É preciso entrar em contato, checar a disponibilidade e fazer a cotação. Muitas vezes, isso leva bastante tempo.

Digitais: Basta acessar a plataforma e preencher os campos solicitados, como data, origem e destino, tipo de carga, etc. O prazo e o custo tendem a ser menores, uma vez que a empresa trabalha com parceiros que estão conectados o tempo todo.

Gerenciamento das operações

Centralizar as informações ajuda a garantir a saúde financeira da operação. Bem como reduz gastos e melhora a eficiência.

Tradicionais: Nem sempre é possível acompanhar todas as operações em tempo real, já que eles são contratados separadamente. Algumas empresas têm painel de monitoramento.

Porém, em geral esses dados são atualizados manualmente. Ou seja, há risco de erros.

Digitais: Mostra a posição de todos os fretes contratados em tempo real. Isso ajuda a planejar e gerenciar o processo com mais eficiência.

Dá para checar as informações de cada operação em um só lugar, de forma intuitiva e interativa.

Rastreamento do veículo e da carga

Fundamental para que a empresa tenha controle sobre cada veículo e carga que está em trânsito. Permite acompanhar prazos, fazer intervenções rapidamente e corrigir eventuais falhas.

Tradicionais: O acompanhamento é feito por telefone ou outro sistema de mensagens, como e-mail. É mais difícil e demorado obter informações atualizadas sobre o frete.

Digitais: Têm veículos com navegador GPS e monitorados em tempo real. Ou seja, dá até para o cliente acompanhar o trajeto que está sendo feito.

Bem como sistemas que identificam a saída e chegada das cargas nos centros de distribuição. Permitem saber com precisão o momento em que a carga será entregue.

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