Andrea Ramos:

Transporte de carga começa a dar sinais de recuperação

Após forte queda da atividade de transpoem março e abril, por causa da pandemia do novo coronavírus, empresas do setor perceberam alta nas operações de frete

Transporte de cargas começa a dar sinais de recuperação
Crédito: Volvo/Divulgação

O setor de transporte rodoviário de carga começa a dar sinais de recuperação no Brasil. Após forte queda da atividade em março e abril, por causa da pandemia do novo coronavírus, empresas do segmento perceberam alta nas operações de frete. E, embora o mês ainda não tenha terminado, junho indica que essa tendência irá se consolidar.

No mês passado, houve crescimento de 33% nas operações de frete na plataforma online FreteBras, por exemplo. E, nos 20 primeiros dias de junho, a empresa registrou avanço de 24% em relação os resultados do mês de maio inteiro.

No acumulado de janeiro a abril, houve retração de 12% na oferta de fretes dos usuários da FreteBras em relação aos quatro primeiros meses de 2019. A maior queda, de 43%, ocorreu em abril.

Alta é puxada pelo agronegócio

A flexibilização da quarentena é apontado como fator determinante para alta registrada em maio e junho. A informação é do diretor de operações da FreteBras Bruno Hacad. Ele diz que a a recuperação se deve sobretudo ao agronegócio.

“Apesar da queda em ramos específicos, como o de produtos industrializados, o agronegócio, impulsionado por safras recordes, continua em alta. Essa atividade tende a puxar a curva ascendente nos próximos meses”, diz Hacad.

O levantamento é baseado na oferta de 400 mil fretes publicados mensalmente na plataforma online.

Estudo da NTC&Logística confirma recuperação

Dados apurados pela NTC&Logística também apontam para a recuperação do setor de transportes. O estudo, feito entre os dias 15 e 21 de junho, retração de 35,9% no volume de carga transportada no Brasil.

Embora o número seja negativo em relação ao mesmo período de 2019, é melhor que a queda de 45% apurada no intervalo entre os dias 20 e 26 de abril. Os números foram divulgados na quarta-feira (24).

No levantamento de abril, todos os Estados estava cumprindo regras mais rígidas de isolamento. Trata-se do sétimo levantamento feito pela NTC&Logística sobre o impacto do novo coronavírus no setor de transporte rodoviário de carga.

O primeiro estudo refere-se à semana de 16 a 23 de março. Na época, a queda registrada na atividade foi de 26%. O levantamento é feito com base em dados fornecidos por 600 empresas de transportes ligadas à NTC.

Volume de transporte varia conforme o setor

De acordo com o estudo da FreteBras, os números variam conforme o segmento. “Os fretes para o setor de agronegócio cresceram 10% no início deste ano em relação ao fim do ano passado”, diz o diretor da empresa. De acordo com ele, a safra recorde de soja e milho foram protagonistas.

A oferta de frete para produtos industrializados caiu 20% nos quatro primeiros meses do ano ante o mesmo período de 2019. As áreas de papel e celulose e máquinas e equipamentos foram as responsáveis pela retração. E reflete a queda na demanda por bens de produção.

O setor da construção civil, que registrou retração de 1% no volume de fretes, foi impulsionado pela demanda por cimento. Nessa categoria, o volume de transporte registrou aumento de 40%.

Preço do frete cai 3,3%

Tanto que, dos usuários da FreteBras, a rota com maior alta na movimentação de caminhões foi Arcos (MG) a Guaíra (PR). O crescimento chegou a 424%. Esse trecho é um importante corredor escoamento da produção de cimento.

A rota Curitiba-Rio de Janeiro apresentou queda de 9% no volume de carga transportada. Trata-se do pior resultado entre os usuários da plataforma virtual. Isso é resultado da retração na demanda por produtos siderúrgicos, papel e celulose.

O preço médio do frete, segundo a FreteBras, caiu 3,3% nos primeiros quatro meses de 2020. A queda não foi maior também por causa do agronegócio.

Entre os produtos com valor de frete mais alto estão batata, arroz e feijão, além de itens alimentícios industrializados. No caso do tipo de implemento, os rodotrem, bitrem e carretas de três eixos garantiram os fretes mais altos.

Motoristas migram para plataformas digitais

Segundo a FreteBras, o número de caminhoneiros que passaram a usar meios digitais para buscar fretes cresceu 47%.O levantamento compara os dados do primeiro quadrimestre deste ano ante o mesmo período de 2019. Durante o mesmo intervalo, houve aumento de 50% no total de caminhoneiros buscando por fretes.

“Os caminhoneiros passaram por uma transformação digital nesse período de escassez de cargas”, afirma Hacad. Segundo o executivo, de janeiro a maio o crescimento foi de 118% na comparação com igual período de 2019. “Com os 40 mil novos motoristas registrados no período, alcançamos 400 mil inscritos na plataforma”.

Essa tendência é registrada também por outras empresas do setor.

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