Andrea Ramos:

Mercedes Atron, último caminhão bicudo do Brasil, sai de linha

A Mercedes-Benz encerrou a produção do Atron 1635 4×2, o último caminhão com cabine bicuda produzido no Brasil, que era fruto de um projeto antigo e vinha perdendo competitividade

Mercedes encerra a produção do Atron, último caminhão bicudo do Brasil
Crédito: Mercedes-Benz/Divulgação

A Mercedes-Benz encerrou a produção do Atron 1635 4×2. O caminhão era o último com cabine bicuda produzido no Brasil. Por se tratar de um projeto antigo, o modelo não pode receber sistemas para mantê-lo competitivo. É o caso, por exemplo, de recursos de conectividade.

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Além disso, comparado aos “cara-chata”, o Atron leva menos carga líquida. Trata-se de uma questão de legislação. No Brasil, o comprimento total do caminhão é utilizado para determinar a capacidade por eixo. Ou seja: o bicudo é maior e, portanto, leva menos carga.

Até 2011, o modelo era chamado de L1635. Em 2012, o pesado recebeu atualizações para atender ao Proconve 7. Além de se enquadrar nas novas regras de emissões de poluentes, foi rebatizado de Atron.

Atron era o último bicudo do Brasil

A Mercedes-Benz começou a produzir caminhões bicudos no Brasil há cerca de 40 anos. Muitos frotistas e caminhoneiros autônomos são adeptos da cabine bicuda.

Segundo os motoristas, nesse tipo de cabine a sensação de segurança é maior. A boa aceitação do Atron no mercado brasileiro foi um dos motivos que levou a Mercedes-Benz a mantê-lo em produção por tanto tempo.

Além do cavalo-mecânico, até 2018, a linha Atron era composta por modelos rígidos rodoviários e fora-de-estrada. Havia opções de cabine avançada e cara-chata.

Atego e Axor podem ser opções, dependendo da operação

Mas a Mercedes-Benz reduziu a oferta e, a partir daquele ano, manteve apenas o 1635 em produção. Isso porque o trator era o mais vendido da família. Em 2019, foram emplacadas 698 unidades do caminhão no Brasil.

De olho nesse nicho, a marca deve apresentar um sucessor do Atron em breve. Possivelmente será uma nova versão do  Atego ou do Axor. Mais chances de ser uma nova versão do Atego. Todos os caminhões Atron que já saíram de linha foram substituídos pelo Atego. Com a futura nova versão, o objetivo é atender principalmente as operações em pedreiras, foco do modelo que saiu de linha.

O preço também pesou a favor do fim do Atron. O modelo novo custava cerca de R$ 297 mil. O Atego 1730 4×2 (foto abaixo), por exemplo, é mais moderno e cerca de R$ 40 mil mais barato.

 

Motor consagrado

O Atron tem motor OM-457 LA, de 12 litros e seis cilindros em linha. Produzido pela própria Mercedes-Benz, é considerado como o mais popular da fabricante. O seis-cilindros equipa cerca de 1 milhão de caminhões e ônibus vendidos pela marca alemã no mercado brasileiro.

Para atender ao Proconve 7 (equivalente ao Euro 5), o motor conta com redução catalítica seletiva (SCR). Trata-se do sistema por meio do qual o Arla 32 é injetado por um catalisador especial. Isso ajuda a reduzir o nível de NOx gerado durante a queima do diesel.

O OM-457 LA gera 345 cv de potência a 1.900 rpm e 148 mkgf de torque a partir das 1.100 rpm. A transmissão ZF 16S 1650, manual de 16 marchas.

Motor do Atego e do Axor é mais eficiente

Para comparação, o Atego 1730 é equipado com o OM-926 LA de 7,2 litros. O seis-cilindros gera, respectivamente, 286 cv a 2.200 rpm e 127 mkgf entre 1.100 e 1.200 rpm. A transmissão é a MB G 131, manual de 9 velocidades.

Ou seja: embora tenha menor capacidade volumétrica, o OM-926 LA é mais eficiente que o OM-457 LA no Atron. Além de gerenciamento eletrônico mais moderno, o novo motor tem turbocompressor.

Na lista de itens de segurança, os dois modelos oferecem Top Brake. O sistema de freio-motor da Mercedes-Benz vem de série em ambos.

Atron tem fama de parrudo

O Peso Bruto Total (PBT) técnico do Atron é de 17,3 toneladas e a Capacidade Máxima de Tração (CMT) de 50 t. O eixo traseiro HL7, da Mercedes-Benz, contribuiu para manter a fama de parrudo do Atron.

Para comparação, o Atego 1730 tem PBT técnico de 17,1 t e CMT de 36 t. Na prática, trata-se de um modelo mais adequado a operações que exigem menor capacidade técnica.

Axor é tão robusto quanto o Atron

A cabine do Axor é mais moderna e, além disso, o caminhão tem boa fama no mercado e muito mais itens de conforto

Tecnicamente, o Atron 1635 é semelhante ao Axor 1933 4×2. Para quem precisa de mais robustez, o modelo pode ser um bom substituto. O problema é o preço mais alto – de R$ 334.950, de acordo com a tabela da Fipe.

Entre as vantagens do modelo mais novo está o maior nível de conforto. Além de ter cabine mais moderna, o caminhão traz suspensão pneumática, entre outros destaques.

O motor Axor 1933 também tem o motor mais moderno. Trata-se do mesmo OM-926 do Atego 1730, mas com maiores potência e torque. São 325 cv e 132,5 mkgf, respectivamente.

Nessa versão, a transmissão é a MB G 241, automatizada de 16 marchas. O PBT técnico do Axor é de 18,6 t e a CMT é de 48,3 t.

Tanto o Atego 1730 quanto o Axor 1933 têm cabines avançadas e bom nível de acabamento. E oferecem vantagens operacionais em relação ao Atron. A principal é a capacidade de levar mais carga líquida.

Também são mais leves. O peso em ordem de marcha do Atego 1730 é de 5.610 kg. O do Axor 1933 é de 6.471 kg e o do Atron é de 7.356 kg.

O Atron é o último caminhão bicudo do Brasil, mas não da Mercedes-Benz. Na Europa ela oferece o Zetros de cabine semi-avançada para atuar nas operações fora de estrada.

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