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Mercedes-Benz celebra 65 anos de Brasil e a evolução do transporte

A Mercedes-Benz, que faz parte da história e da evolução do transporte no Brasil, celebra 65 anos da inauguração da fábrica de São Bernardo do Campo

Décio Costa

27 de set, 2021 · 10 minutos de leitura.

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Mercedes-Benz conta a evolução do transporte no País
Crédito:Mercedes-Benz/Divulgação
Mercedes-Benz conta a evolução do transporte no País

A Mercedes-Benz é protagonista da evolução do transporte no Brasil. Afinal, há 65 anos a empresa inaugurava sua primeira fábrica fora da Alemanha. No dia 28 de setembro de 1956, uma sexta-feira, o então presidente da República, Juscelino Kubitschek, foi a São Paulo inaugurar a nova planta. Das linhas de produção da unidade de São Bernardo do Campo sairiam milhares de caminhões.

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Foram três anos de obras na área localizada entre os km 15 e 16 da Rodovia Anchieta. Afinal, a marca trazia na bagagem nada menos que 70 anos de experiência na produção de veículos. Como resultado, a Mercedes-Benz ajudou a desenvolver a indústria nacional de autopeças. Bem como o setor de transportes de passageiros e de carga.

Além disso, contribuiu para uma mudança de paradigmas. Afinal, até então todos os caminhões à venda no País tinham motor a gasolina. Porém, o L 312, primeiro modelo nacional da Mercedes-Benz, tinha um seis-cilindros a diesel que gerava 110 cv de potência. Além disso, sua capacidade de carga era de seis toneladas. O apelido de Torpedo era alusivo às formas aerodinâmicas.

Cara-chata e tração 4x4

Da mesma forma, a companhia passou a atuar no segmento de ônibus. Nesse sentido, o L 312 serviu de base para o chassi LP 312. Como resultado, a companhia também foi a primeira a oferecer uma opção com motor a diesel para o transporte de passageiros no Brasil.

Logo depois, a Mercedes-Benz lançou o L 312. De 1958, o caminhão cara-chata foi desenvolvido em um momento em que havia poucas estradas asfaltadas no Brasil. Com capacidade para 10 toneladas, o modelo foi o primeiro de uma família de novos veículos. Dessa base, surgiu o primeiro caminhão com tração 4x4 do País.

Além disso, em meados dos anos 1960 a Mercedes-Benz se consolidou como a maior fabricante de caminhões do mercado brasileiro. Revelado em 1964, o L 1111 revolucionou o transporte de carga no País. Com cabine semi avançada, o modelo serviu de base para o L 1113. Ou seja, o campeão de vendas da marca que seria lançado em 1970.

Ícone das estradas

O 1113 oferecia boa oferta de potência. Nesse sentido, vinha com o novo motor de 5,2 litros e 130 cv. Ou seja, o primeiro feito pela fabricante no Brasil com injeção direta de combustível. Reconhecido por sua robustez, simplicidade e baixo custo de manutenção, o modelo logo ficou famoso. Assim, até 1987, quando deixou de ser produzido, mais de 207 mil unidades foram feitas no País.

Porém, faltava à Mercedes-Benz do Brasil um caminhão focado no transporte urbano. Enfim, em 1972 a empresa lançou o L 608 D para preencher essa lacuna. O Mercedinho foi o primeiro caminhão leve do País com motor a diesel. Com motor de 3,5 litros e 85 cv de potência, tinha peso bruto total (PBT) de 3,5 toneladas.

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Da mesma forma, a companhia não atuava no segmento nacional de pesados e extra pesados. Portanto, ainda na década de 1970 a Mercedes-Benz ingressou no segmento. Como resultado, surgiu  o LS 1924. Ou seja, o primeiro cavalo-mecânico da marca produzido no País com capacidade para puxar uma carreta de três eixos.

Avanço da eletrônica

A partir de então, houve uma sucessão de lançamentos que marcaram época nas estradas. Entre os destaques, o LS 1935, de 1990, foi um tremendo sucesso. O modelo pesado teve mais de 19 mil vendidas até 1998. Além disso, serviu de base para a estreia do motor com gerenciamento eletrônico. A novidade estreou no LS 1938.

O novato tinha motor de 380 cv de potência e câmbio de 16 marchas. Bem como recursos pouco comuns nos caminhões da época. Por exemplo, foi o primeiro da marca com freios ABS. Além disso, trazia discos com sensor de desgaste de pastilhas, ar-condicionado e rodas de alumínio.

Com o Proconve P5, equivalente ao Euro 3, a Mercedes-Benz renovou sua linha no começo dos anos 2000. Assim, uma nova geração de caminhões passou a ser feita no País. Nesse sentido, surgiram o leve Accelo, os médios e os semipesado Atego e os pesados Axor e Actros.

Linha diversificada

No aniversário de 65 anos de produção no Brasil, a Mercedes-Benz também celebra sua grande presença nas ruas e estradas. Segundo a empresa, de cada dez caminhões novos vendidos no País, quatro são da marca. Por sua vez, no segmento de ônibus a participação é ainda maior. Ou seja, são seis modelos da marca de cada dez emplacados.

Como resultado, a Mercedes-Benz se transformou na maior fabricante e exportadora de veículos comerciais da América Latina. Em outras palavras, contabiliza mais de 2,3 milhões de unidades produzidas. Desse total, 1,6 milhão foram de caminhões. As vendas no mercado doméstico superam 1,8 milhão de unidades e as exportações, mais de 500 mil.

Para quem a olha por fora, a fábrica do ABC paulista não mudou. Porém, nesse meio tempo a unidade foi recendo atualizações que a transformaram em uma das mais modernas do Grupo Daimler no mundo. Segundo a empresa, foram investidos mais de R$ 5 bilhões em suas operações no País.

Produtos e processos digitais

Assim, um dos maiores avanços está ligado à digitalização de processos. Com isso, foi possível ampliar a produtividade e preparar a companhia para a chegada de novos produtos. Por exemplo, o novo Actros foi o primeiro veículo vendido no Brasil com câmeras no lugar dos retrovisores convencionais.

Além disso, o cavalo-mecânico elevou o nível da oferta de soluções tecnológicas oferecidas de série nos caminhões vendidos no Brasil. Dessa forma, o modelo sai da fábrica com recursos de condução semiautônoma. Nesse meio tempo a marca também passou a oferecer a linha Sprinter no País.

Bem como automóveis, que foram produzidos em duas plantas. Assim, entre 1999 e 2010, a empresa fabricou em Juiz de Fora (MG) o hatch Classe A e o cupê CLC. Depois, inaugurou em Iracemápolis (SP) uma planta para produzir o sedã Classe C e o SUV GLA. Porém, no fim de 2020 a unidade paulista foi fechada. Há pouco mais de um mês, a planta foi vendida para a chinesa Great Wall.