Ford encerra produção na fábrica de SBC

O acordo de compra pelo Grupo Caoa ainda segue sem definição

Fábrica da Ford em São Bernardo do Campo Crédito: Foto: Ford Caminhões

Depois de 52 anos de atividades produtivas, a quarta-feira de 30 de outubro de 2019 ficará na história da indústria automotiva pelo encerramento da produção da Ford na fábrica de São Bernardo do Campo (SP), especialmente a de caminhões, pois a de automóveis, a do Fiesta, parou em julho.

A decisão desligar as linhas da unidade do ABC paulista foi anunciada ainda em fevereiro, como parte de uma reestruturação global da companhia, na qual busca preservar somente operações lucrativas.

Logo após anúncio da Ford, o governador de São Paulo, João Dória, tomou a iniciativa de buscar um comprador e, assim, manter a operação e empregos. Do resultado das tratativas iniciadas, o Grupo Caoa confirmou o interesse em anúncio ocorrido no início de setembro no Palácio do Bandeirantes, sede do governo paulista.

Na ocasião, Carlos Alberto de Oliveira Andrade, do Grupo Caoa, chegou a confirmar que o negócio seria realizado com recursos próprios, após 45 dias de diligência prévia, processo para avaliar ao risco da transação. Há poucas semanas, no entanto, o secretário da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo, Henrique Meirelles, declarou que a Caoa ainda não havia conseguido obter o financiamento para a compra da fábrica. O Grupo Caoa não se manifestou a respeito.

O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, confirmou a dificuldade da Caoa na obtenção de recursos junto ao BNDES em assembleia realizada na terça-feira, 29, nas dependências da fábrica. Wagner Santana, o presidente da entidade, chegou a cobrar do governo federal a liberação do financiamento e conclusão da compra.

Pelos planos, a Caoa preservaria a operação de caminhões com a marca Ford sob licença da companhia americana, mas também incluiria nas linhas a produção de automóvel de uma marca chinesa.

Em fevereiro, quando anunciou decisão de fechar a unidades do Taboão, a fábrica empregava 2,7 mil trabalhadores, de acordo com o sindicato. Ao longo dos últimos oito meses, a abertura de um PDV, Programa de Demissão Voluntária, reduziu o quadro em 1,5 mil vagas. Dos 1,2 mil trabalhadores ainda existentes, cerca de 600 são da parte administrativa e deverão ter seus empregos preservados.


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