Andrea Ramos

19/11/2020 - 10 minutos de leitura.

Manutenção de frota: terceirizar ou não?

Escolher terceirizar a manutenção da frota de caminhões ou mantê-la dentro
da empresa nem sempre é uma decisão fácil. São muitas as variáveis, e
empresários do setor explicam quais são elas e seus efeitos

manutenção de frota
Crédito: Volvo/Divulgação

Com fretes mais baixos e consumidores cada vez mais ávidos por eficiência, manter os caminhões disponíveis é necessário. Por essa razão, gerenciar a manutenção de uma frota com dezenas ou centenas de caminhões não é uma tarefa fácil. Empresas de transporte buscam a equação mais adequada para o negócio manter-se competitivo. E isso inclui terceirizar ou não a manutenção dos veículos.

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Para o COO da GVM Solutions, Felipe Medeiros, não existe uma ciência exata que ajude o transportador a eleger a melhor solução. Manter a manutenção própria ou terceirizá-la está mais atrelada à otimização dos custos.

“Eu acredito que manter uma oficina própria faz mais sentido quando a frota de caminhões é mais antiga. Porque é necessário garantir a disponibilidade da oficina quando o veículo parar repentinamente.”

Esse não é o caso da GVM Solutions. A empresa optou por terceirizar toda a manutenção para concentrar suas operações na atividade fim, que é o transporte rodoviário. A idade média da frota de quatro anos também ajudou na decisão. A escolha ainda foi possível porque a frota da GVM é de apenas 50 conjuntos. Ela representa 30% da operação da companhia que completa os 70% restantes com agregados. Contudo, essa estratégia pode oferecer um bom custo-benefício para empresas que têm uma frota nova e pequena.

“Terceirizamos a manutenção da frota para cada necessidade. Temos oficinas credenciadas para prestação do serviço de mecânica, outra especializada em auto elétrica e outra em borracharia, por exemplo. Sempre procuramos ter mais do que uma credenciada, assim podemos fazer até três orçamentos e aquela que oferecer o melhor preço, nós fechamos”, diz Medeiros.

O executivo explica que o índice de desgaste, avarias e quebras dos veículos é baixo. O que não compensa manter uma oficina interna, uma vez que isso geraria custos com investimentos na montagem do espaço e de ferramental, além da mão de obra.

Desafio é quando a parada não está programada

Felipe reconhece que a terceirização pode trazer certa desvantagem com relação às paradas não programadas. Quando há ocorrência de quebra do veículo é muito mais fácil priorizar o conserto quando a oficina é própria.

Para reduzir os impactos que situações como essa causam, como indisponibilidade do veículo por um tempo não previsto, a empresa investe na manutenção preventiva. Razão pela qual o executivo informa que o índice de ocorrência de quebra é bem baixo.

“Fazemos a manutenção preventiva conforme a especificação do fabricante porque dessa forma consigo manter o veículo em dia e programar a parada. Isso permite com que a operação seja mais proativa. E, claro, evita quebras por problemas mal resolvidos no caminhão. E para ter total controle temos gestores de frota que acompanham os serviços desses veículos dentro das oficinas e se certificam de que ele foi realizado da maneira correta”, explica o COO da GVM.

Estrutura da empresa pode determinar a gestão da manutenção

Para o gerente coorporativo operacional da Ouro Negro Transportes, Raphael Altman, a estrutura da transportadora com relação ao tamanho da frota e a forma como ela faz gestão do negócio serão determinantes na tomada de decisão de terceirizar ou não a manutenção da frota.

A Ouro Negro, que tem uma frota de 70 conjuntos próprios com idade mínima de quatro anos e trabalha com frota terceirizada, optou por fazer as manutenções preventivas como trocas de óleos e de filtros dentro da empresa.

São manutenções que não requerem altos investimentos em equipamentos. E quando a manutenção é corretiva, a empresa terceiriza o serviço. Para isso, ela mantém contratos com oficinas localizadas na rota onde seus caminhões costumam percorrer.

“As manutenções mais robustas – que necessitam de equipamentos caros como de diagnósticos -, optamos por terceirizar, mesmo porque na nossa operação temos caminhões de variadas marcas. Então, teríamos que manter um estoque de peças multimarcas. Ao terceirizar, eu consigo até negociar
preço.” O executivo que já trabalhou em empresas com frotas com mais de mil caminhões explica que geralmente a tática é optar pela manutenção própria.

Essa pode ser uma estratégia adotada por muitas transportadoras de grande porte para se tornarem eficientes nas manutenções, com equipes focadas nessa atividade. Os investimentos iniciais podem ser altos com oficinas, estoques de peças e mão de obra e sua capacitação. Por outro lado, a
transportadora terá controle total sobre a frota. Incluindo poder escolher o horário para fazer a manutenção do veículo e controlar o tempo em que ele ficará parado.

“Empresas de grande porte costumam manter oficinas próprias espalhadas por suas filiais, porque se tornam mais competitivas. Com a vantagem de, em caso de quebra, o caminhão ter prioridade na oficina própria. Porque imagine terceirizar o conserto de mais de mil veículos e otimizar tudo isso?
Obviamente, as quebras não ocorrem de uma só vez. Mas, mesmo assim, a gestão fica comprometida”, explica Altman.

Oficina própria e mecânicos terceirizados

Gestor de frota da JR Transportes, Jefferson Cesar Minervini explica que a transportadora optou por manter a oficina própria, porém com mão de obra especializada terceirizada. Assim, a empresa consegue ter controle total dessa parte da operação, que, segundo Jefferson, é fundamental para a
otimização do transporte. E que, por outro lado, não tem custos trabalhistas com mecânicos.

“Com uma empresa especializada em manutenção e dedicada à nossa operação, temos os mesmos ganhos de manter uma oficina própria, com a vantagem de não ter custos trabalhistas porque os funcionários são terceirizados”, conta Minervini.

Os investimentos feitos pela JR Transportes foram na infraestrutura para a oficina e ferramentais. Inicialmente, eles são altos, mas depois diluídos devido ao ganho que a empresa tem no controle da gestão de manutenção, tempo e qualidade do serviço.

Nesse modelo de negócio, a JR economiza cerca de R$ 150 a R$ 200 mil por mês, entre custos com mecânicos e paradas não programadas em oficinas terceiras. Estão na conta, ainda, gastos com remoção de veículos para oficinas terceiras e agilidade dos processos como veículos mais disponíveis e
tempo do caminhão parado.

Vale lembrar, no entanto, que nos primeiros dois anos de vida do caminhão, a montadora oferece garantias. Passado esse tempo, muitas transportadoras preferem seguir as orientações dos fabricantes em relação aos cuidados preventivos. Por isso, outra opção é fazer planos de garantia estendida junto
às fabricantes.

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