Cristiane Barbieri,

13.03.2020 | 12:15 Atualizado: 16.03.2020 | 13:24

Coronavírus faz Marcopolo fechar fábrica na China

A planta da Marcopolo no Novo Distrito de ChangZhou, na China, está parada desde janeiro por causa do avanço do coronavírus e só deve voltar a produzir no dia 17 de março.

marcopolo
marcopolo Crédito: MARCO1 - ECONOMIA - MARCOPOLO - IMAGEM INTERNA DO ONIBUS PAADISO 1200 DISPONIVEL NO SITE DA MARCOPOLO NA CHINA. FOTO MARCOPOLO

A Marcopolo, fabricante brasileira de carrocerias para ônibus, tem uma planta no Novo Distrito de ChangZhou, na China. Por causa do avanço do coronavírus, a unidade está fechada e só deve voltar a produzir no dia 17 de março.

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Na fábrica chinesa a empresa gaúcha produz componentes e carrocerias. Seus produtos são vendidos principalmente a países da Ásia e Oceania, como Hong Kong, Mianmar e Austrália. A produção, de um ônibus por dia, por turno de trabalho, foi paralisada no dia 25 de janeiro para celebrar o Ano Novo chinês.

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Os trabalhadores deveriam ter voltado no dia 10 de fevereiro, mas o país foi atingido pelo surto de coronavírus. Com isso o retorno às atividades só começou a acontecer parcialmente no dia 2 de março.

Agora a previsão é que a fábrica volte a funcionar plenamente na próxima terça-feira (17). Inclusive com o recebimento de insumos dos fornecedores.

Funcionários da Marcopolo são chineses

Até o momento, nenhum funcionário da fábrica da Marcopolo na China foi infectado pelo coronavírus. Dois colaboradores não têm data para voltar. Isso porque eles estão na cidade de Wuhan, que está isolada e sob controle militar.

Diretor de Estratégia e Negócios Internacionais da Marcopolo, André Vidal Armaganijan, diz que o fato de os cerca de 200 funcionários serem cidadãos chineses facilitou a gestão da crise.

“Não tivemos nenhum expatriado para retornar ao Brasil”, escreveu o executivo ao Estadão/Broadcast. “Os funcionários retornaram para suas casas, aguardaram a definição e chamada para retorno às atividades.”

Monitoramento por celular

A quarentena e a garantia de que os funcionários ficaram em suas casas foi monitorada por meio de seus celulares. Segundo Armaganijan, todos têm smartphone. Antes da paralisação, eles tiveram o aparelho escaneado.

Isso foi feito por meio de QR, código de barras bidimensional cedido pela China Mobile. “(Essa ferramenta) permitiu identificar onde cada um esteve durante o período de quarentena”, diz Armaganijan.

O maior desafio, segundo o executivo da Marcopolo, foi gerenciar as visitas de clientes e potenciais clientes. Ainda não há definição sobre quando essas atividades serão retomadas.

Relacionamento com clientes

A epidemia prejudicou o relacionamento da Marcopolo com seus clientes. “Diversas visitas de clientes e potenciais clientes de mercados como Hong Kong/Mianmar, Oriente Médio e Tanzânia estavam programadas para os meses de fevereiro e março” escreveu Armaganijan. Todas foram canceladas

Como a paralisação por quase dois meses, o impacto na produção e no atendimento será comprometido. “A perda de produção estimada é de dois a quatro meses”, diz.

O retorno das atividades administrativas ocorreu no fim de fevereiro. A área produtiva voltou a funcionar no início de março. Por ora, a unidade está utilizando insumos disponíveis no estoque.

Coronavírus

Volta à normalidade só no 2º semestre

A volta do recebimento de componentes e outros insumos só ocorrerá na segunda quinzena de março. Por isso a programação de retorno de produção plena está prevista para o dia 17 de março.

“Somente após a normalização das atividades produtivas e do fluxo de recebimento de insumos é que poderemos mensurar as perdas e o atraso na entrega de pedidos”, diz Armaganijan. Por enquanto, a estimativa do executivo da Marcopolo é que o atraso do processo como um todo só volte à normalidade em até quatro meses.

 

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