Andrea Ramos

11.06.2020 | 22:02

Volvo lança caminhão urbano VM City e linha 2021

Contrariando as expectativas do mercado que esperava a nova geração da linha F – apresentada em fevereiro na Europa -, a Volvo do Brasil renovou a gama F já existente e lança o VM City

Volvo renova a linha 2021 e apresenta o VM City
Crédito: Volvo/Divulgação

O VM City, principal novidade da linha 2021 da Volvo, chega para disputar o segmento de caminhões semipesados. Trata-se de uma versão inédita do VM 270, modelo de entrada da “família”; que reúne todos os conteúdos que a marca oferecia separadamente até então. Com a novidade, a Volvo mira os compradores do Constellation 24.280. O rival da Volkswagen é líder de vendas do segmento no Brasil há 13 anos consecutivos. Confira aqui o ranking de vendas de 2020.

O novo VM City tem motor de seis cilindros em linha e 7,2 litros. Fornecido pela MWM, gera 270 cv de potência a 2.200 rpm e 97 mkgf de torque entre 1.200 e 1.600 rpm. A transmissão é manual de seis marchas e eixo traseiro é de dupla velocidade. Isso dá flexibilidade ao caminhão para rodar tanto no ambiente urbano quanto no rodoviário, segundo informações da Volvo.



O VM City será oferecido na versão plataforma com tração 4×2 e 6×2 e PBT técnico (Peso Bruto Total) de 35 toneladas. Haverá opções com distância entre os eixos de 3,65 metros e 5,15 m. A primeira vai “surfar sozinha” no mercado brasileiro. Nenhum dos rivais têm opção com tração 4×2 e motor dessa faixa de potência.

Outro forte concorrente do VM City no Brasil é o Scania P 280, que tem PBT técnico de 26,1 toneladas. O novo modelo da Volvo também disputará vendas com o Mercedes-Benz Atego 2426 e o Iveco 24-280.

A Volvo aposta na novidade para ampliar sua participação no segmento. A marca está de olho no aumento do volume de carga transportada por causa do avanço do e-commerce. Cada vez mais consumidores estão adquirindo produtos de forma online. Essa tendência deve se consolidar, mesmo com a flexibilização do isolamento social.

“O novo integrante da linha VM atenderá especificamente as operações em que o motorista não precisa dormir na cabine. E atuará em aplicações com baú, caçamba e para carga seca”, diz o gerente de engenharia de vendas da Volvo, Jeseniel Valério. De acordo com ele, a nova versão também poderá ser utilizada em operações vocacionais, como guindaste e na construção civil, por exemplo

VM City é caminhão versátil

Segundo a Volvo, o VM City atenderá principalmente empresas de varejo que precisam de flexibilidade para distribuição de gêneros diversos. A empresa informa que essas operações incluem tanto pequenos comércios e/ou mercados, quanto lojas de materiais de construção e distribuição de alimentos, por exemplo.

A cabine é curta, uma vez que nesse tipo de operação o motorista roda em trechos reduzidos e durante o dia. Ou seja, requer menos espaço e não precisa de área destinada à camas. Trata-se da mesma configuração oferecida nas demais versões da linha VM.

De série, o VM City traz itens como suspensão a ar, volante multifuncional e computador de bordo. Na lista de equipamentos opcionais há banco para dois acompanhantes, ar-condicionado e preparação para tomada de força, entre outros.

Volvo FH ganha novos itens de série

A Volvo também apresentou a linha 2021 da família F. A tão aguardada nova geração, lançada em fevereiro na Europa, ainda não tem data para chegar ao Brasil. A atual é de 2014 e ganhou itens voltados à segurança ativa. Outro destaque é o FH com tração 4×2 e 6×2. Essas versões passam a ser oferecidas com 3,5 metros de distância entre os eixos.

Entre os destaques dos novos itens de série há defletores de ar nas laterais. O objetivo é melhorar a aerodinâmica, reduzindo a resistência ao vento. De acordo com informações da Volvo, graças aos apêndices aerodinâmicos o consumo de diesel pode ser reduzido em até 2%. As opções de entre-eixos com 3,2 m e 3,6 m continuam disponíveis no cavalo-mecânico FH 460 com tração 6×2. Nesse caso, os defletores laterais são vendidos como opcionais.

A linha FH equipada com o pacote intermediário Extra Confort, o mais vendido da marca, ganhou vários equipamentos de série. É o caso das luzes de alerta de frenagem de emergência. As lanternas traseiras piscam automaticamente em desacelerações bruscas. Há ainda sensor crepuscular (os faróis se acendem sozinhos ao entardecer ou dentro de túneis, por exemplo), de chuva (os limpadores de para-brisa são acionados sem intervenção do motorista) e luzes “três marias” (deixam o veículo mais visível em aclives).

Como já ocorre no Volvo FH, na linha 2021 os caminhões FM e FMX passam a vir de série com sistema de aceleração inteligente combinado à transmissão I-Shift de sexta geração. O equipamento eletrônico gerencia motor e câmbio, de modo a proporcionar o maior desempenho possível com o menor consumo de diesel. Para isso, considera variáveis como topografia da via e peso da carga.“Os sistemas conjugados podem contribuir para a redução de até 10% no consumo de combustível”, diz Valério. 

Linha Volvo 2021 chega mais cara

De acordo com informações da Volvo, na linha 2021 os caminhões ficaram mais caros. A tabela da gama VM foi reajustada, em média, em 8%. No caso da F, o reajuste médio foi de 12%. Diretor-comercial de caminhões da Volvo, Alcides Cavalcanti diz que a desvalorização do real é uma das principais causas da alta nos preços. Muitos dos novos itens de série dos caminhões da marca são importados.

A redução do volume de produção também gera aumento de custos, segundo o executivo. Ele afirma que, mesmo com os reajustes, os valores cobrados pela marca não são suficientes para cobrir os custos de fabricação. Por isso, é possível que haja outro aumento de preços no quarto trimestre deste ano. “Vamos reavaliar e, claro, se houver outro reajuste, não será dessa proporção”, diz Cavalcanti.

FH é líder de mercado desde 2018

FH 2021 chega mais bem equipado para disputar em igualdade o mercado com o novo Actros que traz de série importantes sistemas de segurança ativa

O FH é líder de vendas no mercado brasileiro de caminhões.O modelo ocupa as duas primeiras posições do ranking de emplacamentos da Fenabrave. Até maio, foram licenciadas 2.041 unidades do FH 540 e 1.457 do FH 460. O número é resultado da soma de todas as versões.

Enquanto as vendas totais de caminhões pesados recuaram 28% no acumulado do ano, as da Volvo caíram 9%. No segmento de semipesados, os emplacamentos cresceram 30%, enquanto o recuo do mercado foi de 12%. “Foram 5.518 caminhões entregues nos primeiros cinco meses do ano. Isso representa queda de 5% contra um recuo de 26% do mercado. Ou seja, nós ganhamos market share”, afirma Cavalcanti.

Ele afirma que, no segmento de pesados, esse é o melhor resultado em termos de market share da história da Volvo, com 33%. “Com relação aos semipesados, nossa participação de mercado é de 11%”, diz Cavalcanti.

Mesmo em meio ao cenário atual, o número de clientes que comprou planos de manutenção da Volvo cresceu e já chega à média de 80%. Alcides diz que antes a média era de 70%. O plano mais procurado é o Azul, o mais básico, que contempla troca de filtros, óleos e lubrificação de chassi e cabine.

Mercado pode ter recuo de até 40%

Segundo o diretor de caminhões da Volvo, ainda é difícil prever como ficará o mercado de veículos comerciais neste ano. “Estamos em linha com os números divulgados pela Anfavea, que prevê queda de 36% das vendas de caminhões. Acreditamos que o ‘novo normal’ será uma retração entre 30% e 40% ante 2019”.

De acordo com Cavalcanti, a principal causa dessa queda são os impactos causados na economia pela pandemia do novo coronavírus. Ele afirma que, com base na situação atual, se não houver grandes mudanças a retração do PIB será de 6% a 11%. O Produto Interno Bruto é a soma de todas as riquezas geradas no país ao longo do ano.

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