Andrea Ramos

23/09/2020 - 13 minutos de leitura.

Há 10 anos o Volvo FMX elevava o padrão dos caminhões off-road

Confira a trajetória do caminhão Volvo FMX, que chegou ao mercado em 2010 com soluções focadas em operações off-road e, desde então, não parou de evoluir

Há 10 anos, o Volvo FMX fazia sua estreia no mercado e elevava o nível dos caminhões off-road
Crédito: Volvo/Divulgação

O mercado de caminhões vocacionais ganhou destaque em 2010 com a chegada do Volvo FMX. O novo off-road substituiu o FM que, embora tivesse ajustes e equipamentos para ficar mais robusto, foi criado para uso rodoviário. O modelo foi lançado em um bom momento para a marca na América Latina. No primeiro semestre de 2010, a Volvo emplacou cerca de 10 mil caminhões na região.

A chegada do FMX inaugurou uma nova fase para a marca. O caminhão foi desenvolvido para ser um modelo 100% off-road. Entre os destaques estavam a robustez e a capacidade de carga maiores. A linha era oferecida inicialmente com versões 6×4 e 8×4 e peso bruto total (PBT) de 32 a 50 toneladas.

O FMX herdou o motor de 13 litros do irmão FM. Quando chegou ao mercado brasileiro, havia opções com potência de 370 cv a 480 cv. O seis-cilindros em linha atendia as regras estabelecidas para o P5, programa brasileiro de controle de emissões equivalente ao europeu Euro 3.

Em 2012, com a entrada em vigor do P7 (equivalente ao Euro 5), o Volvo FMX ganhou atualização nos motores. Um dos resultados, além da redução do consumo e das emissões, foi o aumento da potência.  O seis-cilindros passou a gerar de 380 cv a 540 cv. Havia versões com tração 4×4, 6×4, 6×6 e 8×4.

A marca sueca também passou a oferecer, por encomenda, uma configuração com tração 10×4. A linha Volvo FMX tinha PBT de 36 a 52 toneladas. A capacidade máxima de tração (CMT) chegava a 250 t.

Volvo FMX tem desenho inspirado na linha amarela

Outro destaque do Volvo FMX era o desenho moderno. As linhas eram inspiradas nos equipamentos de construção da marca sueca. Entre as exclusividades estavam a grande altura livre do solo, a cabine com ampla parte frontal e a proteção para o conjunto óptico.

O modelo era oferecido com pino de reboque dianteiro com capacidade de 25 toneladas. Havia ainda degraus com revestimento antiderrapante e escada atrás da cabine. O para-choque da frente e o protetor de cárter reforçados, assim como a barra de proteção frontal, eram de série.

Evolução do caminhão projetado para o mau caminho

“O Volvo FMX é um divisor de águas no mercado de caminhões. Rapidamente se tornou referência para frotistas e também para os motoristas, diz o diretor-executivo de caminhões da marca no Brasil, Alcides Cavalcanti. De acordo com ele, o modelo fez com que as vendas da empresa no segmento de off-road, crescesse no mundo todo.

A primeira grande atualização na linha ocorreu em 2014. O desenho da cabine ficou alinhado com o do  novo Volvo FH, lançado no mesmo ano. Vários componentes e sistemas, com a suspensão, também foram renovados. Com a nova suspensão, a altura livre do solo aumentou para 300 mm. O pino de reboque foi redimensionado para suportar 32 toneladas.

A transmissão automatizada I-Shift foi também foi importante para garantir o sucesso do Volvo FMX. A caixa de câmbio evoluiu com o modelo ao longo dos anos. Em 2016, o sistema passou a ter opções de marchas super-reduzidas, que facilitam arrancar com composições de 250 toneladas.

Essa solução também colabora para a condução em velocidades muito baixas – a até 0,5 km/h. O recurso é útil sobretudo na hora de manobrar composições grandes e também em locais apertados.

Inovação para casos extremos

A maior composição sobre pneus em operação do Brasil é puxada pelo Volvo FMX. Trata-se de um Hexatrem de 52 metros que entrou em operação em 2019. São 19 caminhões para tracionar seis semirreboques de 250 toneladas cada. O conjunto movimenta toras de eucalipto ne fazendas da Suzano Papel e Celulose em Três Lagoas (MS).

Avaliamos o Volvo FMX

O Estradão avaliou alguns modelos da gama FMX. O que mais chama a atenção nesses caminhões é o conforto a bordo. Afinal, estamos falando de um modelo desenvolvido para atuar em operações no fora de estrada.

A avaliação mais recente foi de um FMX 500, configurado com tração 8×4. Nessa composição, o PBT é de 52 t e a capacidade de carga líquida vai de 35 t a 38 t. A variação refere-se ao tipo de implemento. Essa versão corresponde a mais de 50% das vendas da gama. O FMX 500 avaliado estava equipado com caçamba para transporte de minério.

O motor D13C500 gera 500 cv de potência entre 1.400 e 1.900 rpm. O torque, de 255 mkgf, é entregue entre 1.050 e 1.400 rpm. Esse seis-cilindros de 13 litros tem injetores-bomba e SCR (Redução Catalítica Seletiva), tecnologia de pós-tratamento dos gases.

No caminhão avaliado, a transmissão I-Shift automatizada tem 12 marchas, além de duas reduzidas. O sistema foi desenvolvido para modelos utilizados em operações pesadas.

O gerenciamento eletrônico tem ajustes específicos para cada tipo de operação. Há um software feito para modelos utilizados em mineração e construção civil e outro para cana-de-açúcar e florestal. Cada um foi desenvolvido levando-se em conta as demandas da condução.

Como o caminhão utilizado em mineração roda em terrenos acidentados e com grande variação na topografia, as trocas de marcha são rápidas. Isso permite segurar o caminhão por alguns segundos em aclives e com o implemento totalmente carregado. Robusta, a caixa I-Shift suporta tanto os solavancos quanto o esforço extra para vencer aclives e declives ao longo das 24 horas do dia.

Caminhão seguro

O Volvo FMX é repleto de itens de segurança. O freio-motor VEB, por exemplo, tem capacidade de frenagem de 510 cv. Quando combinado com o freio auxiliar retarder, são 1.100 cv. Durante a avalição,  o pedal do freio de serviço só foi acionado quando era preciso parar o caminhão completamente.

O bloqueio do diferencial tem dois estágios. O primeiro é acionado quando há risco de os pneus de tração patinarem. O outro é para pista escorregadia e garante que o caminhão rode em linha reta.

Outro destaque e freio estacionário com gerenciamento eletrônico. Caso o motorista desligue o motor e se esqueça de acioná-lo, o sistema será acionado automaticamente.

O modelo avaliado tem  50 mm a mais em relação ao solo. Isso amplia a capacidade para trafegar em terrenos ruins. A linha FMX também conta com reforços estruturais e suspensão traseira mais robusta. A longarina do chassi é feita com uma liga especial de aço.

Segundo informações da Volvo, isso garante maior leveza e flexibilidade sem perda de resistência. A bitola do chassi também é larga, o que contribui para a estabilidade em operações como as basculantes.

Desafio carregado

O Volvo FMX avaliado estava carregado com 36 toneladas de pedras. Rodamos em um circuito fechado por estrada de terra. Graças ao diferencial de 6,18:1 e do entre-eixos curto, de 4.300 mm, o caminhão conseguiu vencer aclives trafegando a cerca de 40 km/h.

O auxílio eletrônico de partida em rampa é oferecido de série. Trata-se de um importante aliado na hora de arrancar em aclives. O sistema segura o caminhão por alguns segundos, mesmo quando o implemento estiver totalmente carregado.

Para simular o uso em campo de mineração, rodamos a 30 km/h, em média. Nessa velocidade, com o motor girando entre 1.100 e 1.200 rpm, a transmissão automatizada I-Shift varia entre a sexta e a sétima marchas.

O primeiro estágio do freio-motor, utilizando cerca de 40% da potência, foi suficiente para vencer com segurança a descida, cujo piso não era muito acidentado. Por meio de uma alavanca do lado do volante, o motorista pode escolher entre quatro opções de graduação da intervenção do freio-motor.

Por dentro do FMX

A cabine foi desenvolvida para oferecer o máximo de conforto ao motorista. Avaliamos a versão com cabine simples – há também opção de cabine leito. A suspensão pneumática com gerenciamento eletrônico pode ser acionada remotamente de dentro da cabine.

Transmissão automatizada, escotilha no teto, ar-condicionado e trio elétrico são alguns dos itens de série. Os assentos são revestidos com um material que imita couro tem detalhes vermelhos. O material, além de facilitar a limpeza, cria um clima aconchegante.

Outra solução interessante são os tapetes de borracha em formato de bandeja. Isso também facilita a limpeza, uma vez que resíduos e poeira ficam concentrados no mesmo lugar.

O painel curvo facilita o acesso aos vários comandos. Aliás, o acionamento de sistemas como o controlador de velocidade (piloto automático), o computador de bordo e rádio ficam no volante. Isso contribui com o conforto e garante mais segurança durante a condução.

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