Mercado

Venda de caminhões, ônibus e implementos sinaliza queda em agosto

Fenabrave mostra que retração de até 40% nas vendas de pesados na primeira quinzena do mês; Caminhões e implementos têm maior impacto

Andrea Ramos

29 de ago, 2025 · 5 minutos de leitura.

Publicidade

Mercado de caminhões, ônibus e implementos inicia agosto em queda
Basculante Amaggi 03
Crédito:Fotos: Amaggi
Mercado de caminhões, ônibus e implementos inicia agosto em queda

O mercado de caminhões apresenta forte desaceleração em agosto. Segundo dados da Fenabrave, até o 11º dia útil do mês, as vendas caíram 12% em relação a julho de 2025 e 25% frente ao mesmo período de 2024. No acumulado do ano, a queda é de 5,3%. Ou seja, foram 71.906 ante os atuais 68.084 emplacamentos.

O desempenho reflete diretamente a dificuldade de acesso ao crédito em meio à taxa Selic de 15% ao ano. Como grande parte das compras de caminhões extrapesados está associada ao agronegócio, especialmente operações de grãos, cana e madeira, a escassez de financiamento trava a renovação e a expansão de frotas.

VEJA MAIS:

Assim, na avaliação da economista Tereza Fernandez, o setor enfrenta um “efeito combinado”, com juros altos, margens reduzidas no campo e pressão cambial diminuindo a rentabilidade agrícola.

Implementos rodoviários são o segmento “mais prejudicado”

Ainda de acordo com a Fenabrave, os implementos rodoviários seguem a mesma tendência negativa. Entre julho e agosto houve apenas estabilidade (+0,4%). Mas na comparação com agosto de 2024 a retração chegou a 20%, percentual também registrado no acumulado do ano. Em outras palavras, em números reais foram 3.015 unidades produzidas neste ano frente às 3.784 unidades em igual período em 2024.


Dessa forma, trata-se hoje do segmento “mais prejudicado” da indústria automotiva. Como dependem das compras de transportadoras para ampliar capacidade de carga, os implementos são ainda mais sensíveis à falta de crédito e ao desaquecimento da logística agrícola.

Ônibus recuam no mês, mas ainda acumulam alta em 2025

O segmento de ônibus também apresentou números negativos no início de agosto. As vendas caíram 30% em relação a julho e 40% frente a agosto de 2024. Foram 959 unidades neste ano ante aos 1.612 chassis no mesmo período no ano passado.

Mercado de caminhões, ônibus e implementos inicia agosto em queda
Caminho da Escola ajuda a movimentar o mercado de ônibus neste ano - Fotos: Allison

Apesar do resultado pontual, o acumulado do ano segue positivo, com crescimento de 12,9%. Em outras palavras neste ano foram 17.828 ônibus emplacados, enquanto em 2024 o setor vendeu 15.784 modelos.

Esse desempenho foi impulsionado por grandes encomendas de chassis e carrocerias entregues no primeiro semestre. Sobretudo em operações urbanas com números positivos para as vendas de veículos elétricos.


“Entretanto, a base de comparação elevada de 2024 e a redução no ritmo de novos pedidos sugerem que o setor pode desacelerar nos próximos meses”, explica Fernandez.

Cenário macroeconômico pressiona previsões

A situação dos veículos pesados, conforme a economista, não pode ser analisada sem considerar o contexto macroeconômico. “O Brasil convive com os chamados déficits gêmeos, fiscal e em transações correntes, o que pressiona o câmbio e aumenta a incerteza sobre o rumo da política monetária”.

Esse ambiente se traduz em menos crédito disponível e juros persistentemente elevados. Como destacou uma das análises apresentadas por Tereza Fernandez: “O cenário de Selic em 15% ao ano, combinado com margens agrícolas reduzidas, explica por que caminhões e implementos seguem pressionados em 2025.”

Siga o Estradão no Instagram!

Deixe sua opinião