Andrea Ramos:

Scania recebe novas encomendas do caminhão a gás

No final de abril a Scania retomou a todo vapor a produção da fábrica de São Bernardo do Campo e com isso a produção das 12 unidades do caminhão a gás encomendadas antes da pandemia. Agora a fabricante anuncia a venda de um novo lote dos veículos a gás

Scania recebe novas encomendas do caminhão a gás
Crédito: Scania/Divulgação

A Scania fechou a venda de um novo lote do caminhão gás. Ainda sem divulgar o nome do cliente, o diretor comercial da Scania no Brasil, Silvio Munhoz, revelou que a venda é expressiva e que a entrega começará a ser feita a partir de julho, assim como a dos demais caminhões vendidos desde o reinício das operações da fábrica de São Bernardo do Campo (SP) no final de abril.

Durante a pandemia, Munhoz percebeu que o interesse pelo caminhão a gás aumentou. “Nesse período alguns embarcadores pediram para testar o caminhão. E percebemos que a questão ambiental está mais latente. Muitas empresas querem honrar o quanto antes o compromisso assumido de reduzir a emissão de poluentes”, avalia Munhoz.

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Com o retorno das atividades da fábrica, a Scania vai atender primeiramente o cliente que já havia feito encomendas antes da quarentena. “Não trabalhamos com estoque e os negócios já estavam fechados quando tivemos que parar a produção em decorrência da pandemia”, diz Munhoz.

A Scania voltou a produzir no dia 27 de abril, após a paralisação de um pouco mais de 30 dias. Para o retorno, medidas de prevenção relacionadas à saúde dos funcionários foram tomadas. A fabricante do grifo, que antes trabalhava com apenas um turno, agora adotou um segundo. O objetivo é manter a distância segura entre os colaboradores.

Dois mil caminhões da Scania serão entregues

Para os meses de maio e junho estão programadas a produção de dois mil caminhões que já estava encomendados antes da pandemia. A previsão é que esses veículos (e isso inclui ainda 12 unidades do caminhão a gás) sejam entregues nesse período. Parte destas unidades vai atender o agronegócio com foco na operação de grãos. A outra vai para a atividade frigorífica, justificada pelo aumento na exportação de carne, especialmente para a China. A produção ainda envolve caminhões para o transporte de mineração e combustível.

Para Silvio Munhoz, a retomada dos negócios de caminhão será gradativa e inferior ao projetado. Mas o mercado não voltará a níveis de crises passadas

“Esse cenário mostra que haverá retomada gradual. Não voltaremos aos patamares da crise vivida no passado. Mas o mercado vai sofrer com retração de vendas este ano. A Scania mais que o mercado. Somos a única marca que vende antes de produzir. As demais fabricantes têm estoque. Um mês sem produzir é um mês sem vender”, explica Munhoz.

Por consequência desse modelo de produção, a expectativa é que a marca encerre o ano com menos participação de mercado do que obteve em 2019.

Por outro lado, segundo Munhoz, um sinalizador de que o mercado vai retomar é que alguns segmentos estão indo muito bem e precisarão de caminhão para operar. É o caso do setor de açúcar. Por ser uma mercadoria comprada em dólar, a receita em reais subiu bastante havendo interesse em exportar. O mesmo acontece com papel e celulose. A cotação da celulose em dólar caiu, mas quando se transforma em reais a receita se torna interessante. Soma-se a isso a frota brasileira com idade média elevada. “Economicamente a frota antiga é péssima para o negócio de transporte. E nesse momento que existe um fluxo de receita confiável que é a exportação, o dono da empresa vai tirar o caminhão velho e colocar o novo, que é mais econômico”, aposta o executivo.

Novo modelo de negócio

Seguindo a cartilha da Organização Mundial de Saúde (OMS), Munhoz e sua equipe, assim como os demais colaboradores da Scania ligados às áreas administrativas, permanecem em home office. “Durante esse momento de pandemia temos conversado virtualmente com os nossos clientes. Hoje 90% do contato com o cliente é virtual. Alguns estão aceitando visitas, mas acredito que daqui por diante haverá um novo modo de fazer negócio, muito mais virtual”, prevê o diretor.

Com a chegada da nova geração de caminhões em 2017, a Scania também deu a opção do cliente comprar caminhão online. Por meio de um configurador no site da marca, o cliente pode montar o veículo conforme a necessidade da sua aplicação. A ferramenta sugere a motorização, transmissão, entre-eixo, relações entre outros itens que sejam mais adequados para a atividade. Com a configuração do caminhão em mãos, o cliente envia para o concessionário que fará a cotação do modelo. Cerca de 30% das vendas já são por meio dessa ferramenta.

Mas Munhoz acredita que esse modelo de negócio vai se intensificar. “E a tendência é também evoluir essa ferramenta para que o cliente tenha acesso a cotação e a planos de financiamento online”, explica.

Para o executivo a proximidade com o cliente sempre estará garantida. Nesse período da covid-19 os contratos de manutenção da Scania saltaram de 47% para 60%. Diante desse cenário, a Scania ampliou a quantidade de planos ofertados para atender a todo o perfil de cliente. Um deles é o plano só paga o que roda.

Caminhões faturados a partir de agosto ficarão 10% mais caros

A partir de agosto os caminhões da Scania terão reajuste de 10%. A justificativa do diretor comercial é a desvalorização do real. “Já passamos de 50% de desvalorização cambial só este ano. Os caminhões pesados e extrapesados têm conteúdos importados que podem variar entre 30% e 45% e esses componentes foram diretamente impactados pela desvalorização cambial, forçando o reajuste”, justifica.

A Scania decidiu fazer o reajuste de 10% para garantir a saúde do seu negócio e para que até o dia 31 de dezembro não haja mais aumento de preço.

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