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Scania e Volvo apostam em super-rodotrens para até 91 t
Legislação

Scania e Volvo apostam em super-rodotrens para até 91 t

Volvo FMX 540 6x4 e Scania G 540 6x4 são as apostas das duas marcas para operar com super-rodotrens, que haviam sido banidos das rodovias em 2018

Andrea Ramos

18 de mai, 2022 · 11 minutos de leitura.

Caminhões para super rodotrens
Caminhões para super rodotrens
Crédito:Scania/Divulgação
Caminhões para super rodotrens

Os rodotrens com capacidade para até 91 toneladas estão de volta. Ou seja, a Resolução nº 872 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) autoriza a circulação dos chamados super-rodotrens em vias públicas desde outubro de 2021. Assim, as fabricantes já preparam caminhões para atender esse tipo de operação. Nesse sentido, Scania e Volvo saíram na frente.

Leia também: Contran libera bitrem no 6x2 e quarto eixo

Vale ressaltar que o modelo da Scania que pode receber o rodotrem para até 91 t está em homologação. Portanto, deverá chegar ao mercado em 2023. Por sua vez, o caminhão da Volvo já está disponível. Trata-se do FMX 540 6x4, com motor de 13 litros e seis-cilindros em linha. Segundo a marca, a potência é de 540 cv a partir das 1.450 rpm e o torque, de 265 mkgf, surge às 1.000 rpm.


De acordo com o gerente de engenharia de vendas da Volvo, Jeseniel Valério, o motor não recebeu atualizações. Ou seja, tem potência e torque suficientes para mover o rodotrem para até 91 t de carga. "Para o transporte comercial, é o torque que faz a diferença. Uma das vantagens do Volvo FMX 540 6x4 é que a força total está disponível já em baixa rotação", diz Valério.

Potência e torque

Uma das regras da lei está alinhada com a portaria do Inmetro nº 51, de 2011. Assim, a lei estabelece que a relação peso e potência de veículos comerciais deve ser de 5,7 cv por tonelada. Ou seja, o motor precisa ter potência igual ou superior a 518,7 cv.

Portanto, o Volvo FMX 540 6x4 atende a regra com folga. O conjunto mecânico inclui a transmissão automatizada I-Shift. Porém, com engrenagens redimensionadas. Assim, o caminhão pode atuar em operações de uso misto - rodovia e estradas de terra. Segundo a fabricante, a caixa tem 14 velocidades, sendo duas superreduzidas.


Além disso, a transmissão recebe relação específica, conforme a atividade. Para chegar a 60 km/h carregado, por exemplo, a relação do diferencial é de 3,91:1. E o eixo traseiro é reforçado. Assim, de acordo com a Volvo, a capacidade máxima de tração (CMT) de até 150 t.

Caminhões para super rodotrens
Volvo tem capacidade máxima de tração (CMT) de até 150 t; Foto: Volvo

Acabamento e itens de segurança

Da mesma forma, o modelo tem boa lista de equipamentos de conforto. Segundo a Volvo, a cabine remete à da linha FH. Portanto, traz banco do motorista com suspensão ar e acabamento que imita couro. Esse revestimento facilita a limpeza.


No quesito segurança, há freios a tambor com sistema eletrônico EBS, assistente de partida em rampa e freio-motor VEB que dispensa o retarder. Conforme a Volvo, a potência de frenagem é de 510 cv. A suspensão com molas é mais robusta e indicada para operações de uso misto.

"Além disso, os caminhões que carregam até 91 t precisam ter o que chamamos de terceira linha de freio. Ou seja, um comando que aciona o freio da carreta em conjunto com o do cavalo-mecânico", diz Valério.

Opção da Scania chega em 2023

Caminhões para super rodotrens
Modelo fora operações severas, como a canavieira; Foto: Scania

Em 2023, a Scania promete lançar no Brasil o G 540 6x4. Ou seja, um modelo desenvolvido para atender todas as demandas da resolução dos super-rodotrens. Para isso, o modelo terá motor DC 13 de seis cilindros em linha, que gera 540 cv e 275,5 mkgf.

Assim, como a transmissão da Volvo, a da Scania é automatizada. Batizada de Opticruise, tem 14 marchas, sendo que as duas últimas são superlentas. De acordo com o engenheiro do produto Scania, Emílio Fontanello, a primeira marcha também é mais reduzida. "As trocas de marcha são feitas conforme o piso, peso do veículo e velocidade", explica.

Além disso, há o chamado lay shaft brake. Ou seja, um freio para o eixo secundário que ajuda a reduzir o tempo de troca de marchas em até 45%. Conforme a Scania, se o caminhão estiver carregado e em uma subida muito íngreme, não perderá força.


Modos de condução

A transmissão conta ainda com recursos que melhoram as respostas do motor. É o caso do modo off-road. Este é ideal para vencer pisos escorregadios, como trechos com barro. Há também o modo econômico que, conforme o nome indica, privilegia o menor consumo de diesel.

A Scania também oferece opções de relação de redução. A 4,38:1, longa, permite que o veículo rode de forma mais livre. Portanto, é indicada para veículos que trafegam a maior parte do tempo em rodovia. Já a 4,72:1 é ideal para caminhões que circulam a até 60 km/h.

Além dessas, há a 5,14:1 mais reduzida. Ou seja, para operações que requerem força. Segundo Fontanello, a escolha também está relacionada à topografia do local onde o veículo irá trafegar. Nesse sentido, colabora o controle de tração, que evita que as rodas girem em falso. Por sua vez, o eixo traseiro com redutor ajuda a distribuir melhor o torque do motor.


Otimizando a operação

Contudo, para compensar essa redução, a Scania indica a transmissão com Overdrive. Ou seja, com a 12ª marcha mais longa, menor do que 1:1. No quesito segurança, a Scania recomenda que o veículo tenha freio retarder. Segundo a marca, a maior parte dos caminhões que atuam em operações off-road são equipados com esse recurso.

Os super-rodotrens são Combinações de Veículos de Carga (CVC) de 11 eixos e com peso bruto total combinado (PTBC) entre 74 e 91 toneladas. Esses conjuntos são utilizados para o transporte da cana de açúcar da plantação para a usina, por exemplo.

Assim, para atender essa demanda a resolução 663 foi aprovada no fim de 2016. A DAF, com o XF 520 e a Scania, com o R 620, foram as primeiras a lançar caminhões capazes de rebocar 91 t. Porém, quando essas linhas foram renovadas, as duas versões deixaram de ser oferecidas.


Caminhões para super rodotrens
No fora de estrada, o ideal é que caminhão tenha transmissão mais curta; Foto: Scania

Super-rodotrens foram proibidos de circular em 2018

Porém, em 2018 o Contran suspendeu a circulação dos super-rodotrens no Brasil. Isso ocorreu por causa de ação judicial movida pela Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias (ABCR). A entidade alega que os super-rodotrens causam impactos severos às vias. Entre eles está o desgaste acentuado do asfalto. Bem como redução na velocidade do tráfego.

Dessa forma, uma série de análises foi feita pelos pelos órgãos de trânsito. Como resultado, foi criada a resolução nº 872 com novos requisitos. Os super-rodotrens, então, passaram a ser utilizados apenas ao transporte cana de açúcar.


Além disso, o veículo deve ter altura máxima de 4,40 metros e comprimento entre 28 m e 30 m. Com isso, há melhor distribuição da carga. Do mesmo modo, o cavalo-mecânico deve ter capacidade máxima de tração (CMT) igual ou superior ao PTBC. Bem como deve tracionar semirreboque com três eixos e reboque com cinco eixos, sendo um tandem duplo dianteiro e um triplo traseiro.

Esses veículos só podem circular com a Autorização Especial de Trânsito (AET). E, no máximo, a 60 km/h e com os faróis ligados. Também são proibidos de fazer ultrapassagens e de circular em comboio. Dessa forma, a distância mínima entre os CVCs é de 300 m.

O percurso autorizado na AET é de, no máximo, 80 quilômetros. E sempre em vias de múltiplas faixas de rolagem. Esses conjuntos só podem trafegar à noite se a via não apresentar alto volume de tráfego. Outra determinação é de que, em caso de pane, o transportador deve providenciar a remoção em até 24 horas.