Aline Feltrin

15.10.2020 | 8:15 Atualizado: 14.10.2020 | 17:17

Indústria deverá vender mais de 7 milhões de pneus de carga em 2020

A expectativa da ANIP é que as vendas de pneus de carga sejam iguais a de 2019. O otimismo é fruto do avanço da demanda dos últimos quatro meses

Pneus
Crédito: Divulgação/ANIP

A indústria de pneus de carga deverá fechar 2020 com números de vendas iguais aos do ano passado. Essa é a projeção da Associação Nacional das Fabricantes de Pneus, ANIP. Segundo dados da associação, em 2019 a soma de pneus vendidos para montadoras e para o mercado de reposição totalizou 7.363.625 unidades.

Em entrevista do Estradão, o presidente da associação, Klaus Curt Müller, diz que para a indústria chegar ao mesmo nível de 2019 no fim deste ano, basta acumular mais um mês de resultados positivos.

O otimismo da ANIP para o fechamento do ano é fruto do avanço apresentado pelas fabricantes nos últimos quatro meses. Ele define esse período de alta demanda como “efeito chicote”. “Com o início da pandemia houve uma freada brusca da produção, mas, depois, veio o grande pico. A próxima movimentação será o retorno da normalidade”, comenta Müller. E é por isso, segundo o executivo, que os resultados desse ano não deverão ultrapassar os de 2019.

Contudo, as vendas de 731.864 pneus de carga no mês de setembro foram 15,7% superiores as 632.506 unidades do mesmo mês do ano passado. Mas o efeito pandemia ainda reflete nos resultados acumulados. Na comparação de janeiro a setembro deste ano com igual período de 2019, há um recuo de 8,5%.

Do total vendido em setembro, a maior parte foi destinada ao mercado de reposição. Foram 580.188 unidades em setembro deste ano, alta de 21,4% sobre as 477.964 comercializadas no mesmo período de 2019. Para as montadoras foram destinados 151.676 pneus, o que representa queda de 1,9% sobre os 154.542 pedidos do ano passado. O presidente da ANIP explica que o bom mercado de reposição de pneus em setembro e nos meses anteriores foi puxado especialmente por setores aquecidos como o e-commerce e o agronegócio. “Houve uma retomada em vários setores e todos eles fazem com que haja aquecimento na logística e no transporte. E isso tem impacto direto nos pneus”, diz Müller.

Indústria de pneus com produtividade em alta

Segundo o presidente da ANIP, as empresas já estão perto de chegar ao mesmo nível de produtividade de antes da pandemia. “Só não igualamos ainda por causa das restrições operacionais devido ao coronavírus. Esse é um problema de toda a indústria porque temos protocolos rígidos, espaçamento físico, de máquinas. E isso gera impacto na produção”, complementa.

Nas palavras de Müller, as máquinas estão a todo vapor e a indústria tem tido condições para atender a demanda. Müller conta que a indústria de pneus de carga está preparada porque as fabricantes mantiveram a produção em funcionamento o máximo de tempo possível desde o começo da pandemia até o momento. E a partir dos meses de junho e julho já tinham um estoque razoável de pneus e, também, de matéria-prima como borracha natural e aço. “A indústria ampliou seus estoques de matéria-prima, alguns fabricantes até próximo ao limite físico. Compraram o máximo possível de borracha natural para poder manter as cadeias funcionando em seu nível mínimo”, conclui o presidente da ANIP.

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