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Anfavea revisa para cima a projeção de produção de caminhões e ônibus no Brasil

Associação que reúne as fabricantes estima que a produção de veículos pesados em 2020 será de 95 mil unidades, com alta de 15,8% em relação à previsão anterior

Aline Feltrin

07 de out, 2020 · 5 minutos de leitura.

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Crédito:Divulgação/Volvo

A Associação Nacional das Fabricantes de Veículos Automotores, Anfavea, divulgou nesta quarta-feira (10) novas projeções para a produção de caminhões e ônibus no Brasil. A nova previsão aponta para 95 mil unidades fabricadas em 2020. Em relação à estimativa anterior, de 82 mil veículos, a alta é de 15,8%. Deste total, a maior parte corresponde a caminhões.

Mesmo com a revisão, o volume de produção de 2020 deverá ser 33% menor que o de 2019. No ano passado, foram fabricados 141 mil veículos pesados no Brasil. ?Alguns segmentos estão promovendo a renovação da frota de caminhões. É o caso do agronegócio e do e-commerce. Já com relação a ônibus, com exceção dos escolares, os segmentos mais representativos (urbanos e rodoviários) estão em situação muito ruim?, diz o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes.

De acordo com ele, até o fim de 2020 as fábricas continuarão com estoques justos para não acumular volumes na virada para 2021. ?As empresas precisam fazer isso para terem mais certeza com relação a cenários futuros e proteger o capital de giro?, afirma o presidente da Anfavea.

A Anfavea avalia que a projeção é cautelosa devido às incertezas econômicas deste ano. Mas há sinais favoráveis também, de acordo com Moraes. Entre eles está a manutenção da redução do IOF, que vai continuar a favorecer financiamentos, juros baixos e, também, datas comemorativas que deverão aquecer a demanda. Contudo, na visão do executivo, há riscos. Como alto índice de desemprego e a redução do valor do auxílio emergencial. Além disso, a incerteza com relação a disponibilidade de insumos para a indústria.

Produção de caminhões e ônibus aumenta em setembro

Questionado pelo Estradão se a indústria de caminhões está sentindo falta de componentes, Marco Saltini, vice-presidente da Anfavea diz que as empresas ainda estão enfrentando dificuldades. E não apenas no aspecto de insumos. "Está mais relacionado ao fluxo de recebimento de materiais do que com a falta deles?, diz. Segundo Saltini, a indústria está tentando ajustar a sua produção a uma realidade de mercado mais aquecida.

Esse ajuste, de acordo com o executivo, já pode ser notado no volume de produção realizada em setembro. Dados da Anfavea mostram que foram produzidos 9.430 caminhões. O número é 28,9% superior ao realizado em agosto com 7.316 unidades. Na comparação com setembro do ano passado houve redução de 9,4% com 10.406 unidades. o volume também é menor com relação ao acumulado dos noves meses de 2019. De janeiro a setembro deste ano foram fabricados 58.304 caminhões. A  queda de 33,3% sobre as 87.452 unidades produzidas no ano passado.

A produção de ônibus também foi maior em setembro na comparação com agosto. No período foram produzidos 1.959 ônibus, alta de 14,3% sobre as 1.714 unidades de agosto. Na comparação com setembro houve recuo de 18,8% com relação os 2.413 fabricados no mesmo mês do ano passado. Na comparação do acumulado a queda foi de 34,6%. De janeiro a setembro de 2019 foram produzidos 21.783 ônibus e o volume caiu para 14.248 em igual período deste ano.

Saltini diz que isso não representa recuperação do mercado de ônibus. ?Este aumento no volume está mais focado em pedidos relacionados ao Programa Caminho da Escola. São licitações de anos anteriores que estão na fase de entregas.?