Aline Feltrin

08/01/2021 - 6 minutos de leitura.

Greve de caminhoneiros pode ocorrer no dia 1º de fevereiro

Uma nova greve de caminhoneiros está marcada para o dia 1º de fevereiro e, segundo lideranças do setor, é motivada pelo descaso do governo sobretudo em relação ao reajuste e pagamento da tabela de frete

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Crédito: WILTON JUNIOR/ESTADÃO

Uma nova greve dos caminhoneiros está marcada para 1º de fevereiro. O motivo seria o descaso do governo em relação às reivindicações dos caminhoneiros autônomos.

A informação é do Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas (CNTRC). Além da Associação dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava).

A CNTRC informa que representa 26 entidades de caminhoneiros. Assim como reúne 30 mil motoristas. da Associação dos Condutores de Veículos Automotores (ABRAVA),

No Brasil há 1 milhão de caminhoneiros com registro de Transportador Autônomo de Carga (TAC). Conforme dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT)

Caminhoneiros têm pauta com 10 itens

Segundo o presidente do CNTRC, Plínio Dias, uma nova greve de caminhoneiros vem sendo discutida desde dezembro. Sobretudo por causa do descaso do Ministério da Infraestrutura.

Em suma, o setor tem uma pauta com dez reivindicações. “Eles (Ministério) disseram que iriam marcar uma reunião no começo do ano .Mas, até agora, nada”, diz Dias.

A princípio, o ponto mais importante é a defesa da constitucionalidade da Lei 11.703 de 2018. Ou seja, a validade da regra que instituiu uma política nacional de valores mínimos de pagamento do frete.

A lei foi uma das conquistas da greve de caminhoneiros de 2018. No dia 21 de maio daquele ano, teve início uma paralisação que durou dez dias. Com isso, o Brasil inteiro colapsou por falta de produtos como combustíveis, alimentos e medicamentos.

Alta do diesel desencadeou greve de caminhoneiros em 2018

Segundo a categoria, a constitucionalidade da lei foi contestada por associações como a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Assim, o caso está sendo analisado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

De acordo com os caminhoneiros, a indefinição criou uma brecha jurídica. Nesse interim, não há fiscalização do pagamento mínimo pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Antes de mais nada, é preciso lembrar o que levou à paralização de 2018. Tudo começou por causa dos seguidos reajustes dos preços do. O litro do combustível subiu mais de 50% em 12 meses.

Caminhoneiros cobram reajuste do valor do frete

Do mesmo modo, a redução do preço do diesel faz parte da atual lista de reivindicações. Assim como  aposentadoria especial, o marco regulatório do transporte e mais fiscalização por parte da ANTT. Sobretudo com relação ao cumprimento da tabela de frete e à contratação direta pelos embarcadores.

“A tabela teve reajuste negativo em julho, de 11% a 15%. Isso porque o preço do diesel caiu por causa da pandemia. Porém, os preços voltaram a subir e não houve ajuste”, afirma Dias.

Para o presidente da Abrava, Wallace Landin, o governo está desrespeitando a categoria. Conhecido como “chorão”, ele disse ao Estradão que “o Brasil vai parar de novo”.

Caminhoneiros se queixam de frete baixo

Segundo chorão, o movimento já teve a adesão de sindicatos dos Estados do Mato Grosso, Paraná e Rio de Janeiro. “A gente está perdendo os direitos conquistados com a greve de 2018”, diz.

Além disso, chorão diz que os embarcadores não estão repassando o INSS aos caminhoneiros. “Os caminhoneiros também estão arcando com o pedágio, que não é responsabilidade nossa.”

O sr. Marcone, como é conhecido um dos líderes da categoria em Recife, reforça a queixa acerta do valor do frete. “Estamos sendo roubados porque ninguém respeita o piso mínimo. Estou fechado com vocês nessa paralisação”, afirma.

De acordo com ele, a greve de caminhoneiros não tem caráter político. “Vamos brigar para que o governo faça cumprir e fiscalize o (pagamento do) piso mínimo. Não vamos forrar cama para Bolsonaro dormir (sic), diz.

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