Aline Feltrin

26/01/2021 - 7 minutos de leitura. Atualizado: 25/01/2021 | 22:34

Cinco dicas para aumentar o lucro do frete

O valor do frete é uma das principais dificuldades dos caminhoneiros autônomos, mas é possível aumentar a margem de lucro

frete
Crédito: Volvo/Divulgação

Frete desvalorizado é uma das principais dificuldades dos caminhoneiros autônomos de todo o Brasil. A tabela de preço teve o piso reajustado em 2,34% recentemente pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Contudo, ainda está bem abaixo do que o necessário para que os profissionais da estrada consigam aumentar a margem de lucro. Em contrapartida, o valor do diesel, por exemplo, que representa até 50% dos custos de um caminhão, vem subindo nos últimos meses.

A boa notícia é que, mesmo assim, é possível tomar algumas atitudes para ter mais rentabilidade e faturar mais. O Estradão ouviu empresas de aplicativos que ligam o frete ao caminhoneiro e também o SEST SENAT. Assim, apuramos cinco dicas importantes para quem faturar mais. Confira:

1)Prepare-se para negociar melhor

Instrutor do SEST SENAT, Gustavo Lunardelli explica que o processo de negociação do frete está vinculado a diversos elementos. Entre eles, o mercado, a disponibilidade para o transporte, custos operacionais e demais elementos. Por isso, é importante que o caminhoneiro tenha conhecimento dos valores que compõem seus próprios custos fixos e, também, os variáveis. “Somente dessa forma, o profissional saberá qual é o seu ponto de equilíbrio em uma operação e entenderá como cobrar um preço mais justo”, complementa.

Diretor de Operações da FreteBras, Bruno Hacad acrescenta que é recomendável negociar o valor do frete por km e por eixo porque isso reflete a distância e o peso corretamente. Além disso, sempre incluir na conta os valores do combustível, da diária, do custo de carga e descarga e as demais despesas.

CEO do app Truck Pad, Carlos Mira complementa que  o caminhoneiro tem de bater o pé para que o frete sempre seja pago de acordo com a tabela da ANTT. “Ele não pode aceitar um frete por um valor menor do que preço de tabela”, diz. De acordo com Mira, se o autônomo sempre agir dessa forma, terá a margem de lucro garantida.

2) Não aceite descontos no pagamento

O pagamento do frete deve ser feito de acordo com a tabela da ANTT, portanto, o motorista não deve aceitar nenhum tipo de desconto em cima do preço estabelecido. Segundo Mira, há transportadoras ou embarcadores que oferecem benefícios e descontam do frete. Um exemplo é o abastecimento do caminhão dentro da empresa. O caminhoneiro não deve aceitar. Outro ponto de atenção é o pedágio. O motorista também não deve permitir que a empresa contratante embuta o pedágio no preço do frete. Se isso ocorrer, vai acabar pagando do próprio bolso.

3) Providencie o frete de retorno com antecedência

Quando o caminhoneiro tem o frete da ida, mas não o do retorno fica sujeito a aceitar um valor mais baixo para não voltar vazio e não ter prejuízo. Segundo Bernardo Lage, porta-voz do aplicativo Pega Carga, no fim das contas, ele acaba recebendo um valor bem abaixo do ideal e sua margem de lucro reduz substancialmente.

Por isso, é importante procurar o frete de retorno antes mesmo de pegar a estrada. Alguns aplicativos de frete, por exemplo, têm funções que permitem ao caminhoneiro fechar a viagem de volta. E com mais facilidade e sem precisar aceitar um valor abaixo do mercado.

4) Estude novos caminhos para economizar

De acordo com o CEO do app Cargo X, Federico Vega é importante que o caminhoneiro teste rotas alternativas para verificar se pode ter economia com gasto de combustível ou taxa de pedágio, por exemplo. Mas isso, é claro, se a distância for equivalente. Vega diz que esse tipo de medida, aliada a um plano de manutenção preventiva, que evitará acidentes e atrasos durante o percurso, reduz custos e aumenta rentabilidade. E vale ressaltar que levar mais peso do que o caminhão pode aguentar irá aumentar a necessidade de manutenção posteriormente e pode comprometer a vida útil do veículo.

5) Invista em atualização para pegar as melhores cargas

Gustavo Lunardelli, instrutor do SEST SENAT explica que o  setor de transporte de cargas e de passageiros  vem se modificando ao longo do tempo, assim como o processo de evolução dos recursos de tecnologias da informação e comunicação. “Houve a melhoria de infraestrutura para o acesso à rede de internet. E, por isso, é importante apostar em soluções tecnológicas, como os apps de frete, que ajudam os caminhoneiros a pesquisar com mais agilidade valores e locais de frete. Além disso, estreita a comunicação entre o autônomo e o dono da carga.

É importante também que o autônomo busque conhecimento. “É necessário que esse profissional tenha domínio sobre legislação do transporte rodoviário de cargas e administração do frete, por exemplo”, diz. Quanto mais o caminhoneiro investir em conhecimento, mais fácil será ter acesso aos fretes mais valorizados.

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