Aline Feltrin

29.08.2020 | 22:14

BYD faz baterias no Brasil, vende pelo Finame e tem aluguel de ônibus elétricos

A BYD acaba de iniciar a produção de baterias de ônibus elétricos no País e tem contrato com o BNDES para financiar os componentes em até 10 anos

BYD inicia produção de baterias no Brasil e abre espaço para financiamento acessível e aluguel de ônibus elétricos
Crédito: BYD/Divulgação

A BYD iniciou a produção de baterias para ônibus elétricos no Brasil. A segunda etapa da operação, segundo informações da empresa, é fornecer o componente também para caminhões. A linha de montagem, que tem capacidade para produzir mil unidades por ano, fica em Manaus e é fruto de investimentos de R$ 15 milhões.

Diretor da divisão de ônibus da BYD, Marcello Schneider diz que inicialmente o índice de nacionalização das baterias será de 30%. Isso garante que o componente possa ser adquirido por meio de financiamento do Finame. “Como a bateria corresponde a cerca de 50% do valor do veículo, o comprador pode financiar o pagamento do conjunto completo, apenas da bateria ou somente do chassi.”

Em abril, a BYD já havia sido credenciada pelo BNDES para que seus chassis de ônibus elétricos e também suas baterias possam ser adquiridos por meio do Finame. Os 20% referentes ao valor da entrada do financiamento podem ser divididos em oito parcelas trimestrais.

“Esse é um importante impacto positivo da produção das baterias no Brasil”, diz Schneider. Com as linhas de crédito do Finame, as empresas de transporte de passageiros podem financiar até 80% do valor do ônibus elétrico. O prazo para pagamento é de dez anos, sendo que os dois primeiros são de carência.

De acordo com o executivo a importação do componente limitava a expansão do mercado de ônibus elétricos no País. “O prazo mais elástico de pagamento contribui para melhorar o fluxo de caixa do cliente”, diz.

Schneider conta que o início da nacionalização das bateria, aliado ao credenciamento da BYD junto ao BNDES permitirá que a fabricante retome as conversas com potenciais compradores. Segundo ele, há negociações que ficaram paralisadas por causa do alto custo do componente. Além disso, o novo canal de financiamento permitirá atrair novos clientes.

A previsão da BYD é de que o índice de nacionalização das baterias alcance 50% entre 2022 e 2023. Essa evolução é necessária para que a empresa atenda os requisitos determinados pelo BNDES. isso faz parte do acordo assinado com o banco para garantir a oferta de crédito mais barato aos clientes por meio do Finame.

Até novembro de 2020, serão produzidas 272 baterias na fábrica de Manaus, de acordo com o planejamento da empresa. Esse lote equipará um lote de ônibus elétricos urbanos da BYD. Os veículos foram adquiridos pela prefeitura de São José os Campos, no interior de São Paulo.

Os novos ônibus elétricos irão percorrer a chamada “Linha Verde” da cidade. De acordo com Schneider, o objetivo da fabricante é fornecer também para outras empresas de transporte público.

Além da fábrica de Manaus, a BYD tem, desde 2015, uma linha de produção de chassis elétricos. A unidade, que fica em Campinas (SP), tem capacidade para montar 1.440 chassis de ônibus por ano.

Locação de ônibus elétricos

A fabricação das baterias no Brasil deve abrir caminho para novas formas de acesso aos ônibus elétricos. Schneider explica que, em vez de comprar o veículo, o operador de transporte pode alugar. Na prática, a empresa compra apenas o chassi e a carroceria.

Nessa modalidade de negócio, não há necessidade de investimento na aquisição das baterias. Os componentes podem ser alugados, o que reduz drasticamente o custo de operação. “A atratividade está em oferecer ao mercado locação ou leasing para ter um rendimento a longo prazo”, afirma Schneider.

O executivo afirma que a empresa vem negociando esse tipo de solução com clientes. Há, ainda, segundo ele, investidores que aplicam em fundos e têm enxergado bom potencial nesse tipo de serviço. Esse perfil de cliente mostra interesse na compra dos ônibus completos e também das baterias separadamente.

A BYD já tem experiência nesse tipo de negócio na América Latina. A empresa chinesa fechou, por meio de licitação, um contrato para fornecimento de ônibus elétricos para a Enel. “A concessionária locou os veículos completos e fez toda parte de infraestrutura”, conta.

De acordo com ele, o negócio é um sucesso. Schneider afirma que isso só foi possível porque o governo chileno desenhou uma estrutura robusta. “No Brasil não há esse modelo, mas há licitações e concessões que não obrigam que o operador seja o dono do ônibus”, diz.

O executivo explica que, com isso, o desembolso de recursos por parte da empresa é menor. “A vantagem para o operador é que ele não precisa fazer um grande investimento inicial. Só precisará fazer os pagamentos mensais.”

Custo de operação é até 70% menor

Um dos principais destaques do ônibus elétrico é o baixo custo de operação. Segundo Schneider, a vantagem em relação ao um veículo similar com motor a diesel chega a 70%. Mas essa vantagem acaba desaparecendo por causa do alto preço das baterias. “Na locação, o valor entra apenas no custo operacional para o operador. E não faz parte do custo de capital.”

Para as empresas que compram baterias para alugar há várias vantagens. A primeira é ter recebíveis de longo prazo. Após o período de concessão, o componente pode ser reutilizado. “Há clientes como empresas que têm sistemas estacionários de energia. São aqueles contêineres de baterias que servem de backup”, diz Schneider.

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