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Agronegócio e e-commerce puxarão demanda por frete em 2021
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Agronegócio e e-commerce puxarão demanda por frete em 2021

A demanda por frete gerada pelo agronegócio cresceu 6,5% no acumulado de janeiro a outubro na comparação com mesmo período do ano passado. E deverá continuar aquecida em 2021 neste e em outros segmentos

Aline Feltrin

26 de nov, 2020 · 6 minutos de leitura.

Crédito:Divulgação/Volvo

O agronegócio está sendo responsável por evitar um tombo ainda maior na economia brasileira em 2020. E, consequentemente, é um dos setores que mais vem demandando frete. No acumulado de janeiro a outubro, a alta é de cerca de 6,5%. O dado é da Repom, que atua na área de gestão e pagamento de despesas de frotas. O bom resultado é reflexo da necessidade de escoamento da produção agrícola. Sobretudo voltado às exportações.

Há, contudo, uma tendência de queda. Na comparação do acumulado de janeiro a setembro, a alta foi maior: 9,5%. Ainda assim, o agronegócio continuará a ser uma das locomotivas do crescimento do País no ano que vem.

A previsão é do responsável por Mercado Rodoviário da Edenred Brasil, Thomas Gautier. Ele disse ao Estradão que a safra projetada para 2021 será recorde. E, com isso, deverá impulsionar a demanda por operações de transporte. ?A previsão é muito positiva?, afirma.


E-commerce deve manter tendência de alta

Também deverá haver aumento na demanda por frete para atender operações ligadas ao comércio eletrônico. ?A pandemia levou mais pessoas a comprarem via internet. E a curva de alta deverá ser mantida no ano que vem?, afirma Gautier.

Segundo ele, as projeções indicam aumento de 5% na demanda por serviços de transporte em 2021. Isso porque o resultado do setor está ligado ao Produto Interno Bruto. O PIB é o resultado de todas as riquezas produzidas pelo País ao longo do ano.


A estimativa é baseada na projeção do PIB brasileiro para 2021. A expectativa é que o número gire em torno dos 3,5%. "Essa é a lógica?, diz Gautier.

Dificuldade para atender agronegócio

Mas nem tudo são boas notícias. O aumento na demanda evidencia as velhas dificuldades enfrentadas pelas transportadoras que atendem o agronegócio. O assunto já foi abordado pelo Estradão em reportagem publicada recentemente.

Além dos antigos gargalos, há novos desafios. O panorama ficou evidente em maio à crise provocada pelo novo coronavírus. Entre os entraves estão altas cada vez mais frequentes dos preços do caminhão e de pneus e a falta de motoristas qualificados.


E, mesmo com os preços cada vez mais nas alturas, há espera para a entrega de caminhões e implementos. Dependendo do modelo, o prazo para entrega pode chegar a cinco meses.

Presidente da Associação Nacional do Transporte, NTC&Logística, Francisco Pelucio diz que, apesar das dificuldades, o setor vem se preparando bem. Segundo ele, no topo da lista de prioridades está a lentidão para carregar e descarregar grãos. O problema, que ocorre sobretudo nos portos, reduz a produtividade e gera prejuízos.

Ele afirma que a NTC vem trabalhando para desatar esse nó. E diz que representantes da associação têm reunião marcada em Brasília com a Confederação Nacional do Transporta (CNT) para discutir o tema. O objetivo é desenhar um plano estratégico para, ao menos, mitigar o problema.


Construção civil também está em alta

Levantamento da FreteBras indica que a construção civil também vem puxando a alta na procura por frete em 2020. Na plataforma, a demanda do setor cresceu 116%, seguida pelo do agronegócio (84%) e pela indústria (79%).

Segundo a empresa, o setor de construção civil está aquecido por causa da demanda gerada por novos empreendimentos imobiliários. Isso, por sua vez, reflete a volta da confiança do consumidor. Outro fator relevante é que, como muita gente tem fica mais em casa, os serviços de reforma cresceram.

As operações de transporte de pedra, por exemplo, cresceram 140%. No caso do cimento, a alta é de 116%. Esses dados são relativos ao terceiro trimestre de 2020. A comparação é com o mesmo período do ano passado.


A oferta de frete para o setor vem crescendo. Nas regiões Sul e Sudeste, a alta foi superior a 100% no mesmo período.

 

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