Aline Feltrin

08/08/2020 - 7 minutos de leitura.

Produção de caminhões cresce 22,3% em julho e recua 37,3% em 2020

Com 6.820 unidades, produção de caminhões em julho de 2020 cresce 22,3% em julho, mas foi a pior para o mês desde 2016, quando foram feitas 5.91 unidades

Caminhões
Crédito: Mercedes-Benz/Divulgação

A produção de caminhões em julho de 2020 foi de 6.820 unidades, com alta de 22,3% ante as 5.757 produzidas em junho. Mesmo com o resultado positivo para o mês, no acumulado do ano o saldo é negativo. De janeiro a julho, as fábricas fizeram 41.558 caminhões, ante 66.314 unidades produzidas no mesmo período de 2019. Nesse caso a retração foi de 37,3%. Os números foram divulgados na sexta-feira (8) pela Associação Nacional das Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

O resultado é o pior para o mês de julho desde 2016, quando foram produzidos 5.091 caminhões no Brasil. O baixo volume é reflexo da crise ocasionada pelo novo coronavírus, segundo informações da Anfavea. Em março, quando foi decretada a pandemia, as fábricas paralisaram a produção. A retomada teve início e junho, mas de forma parcial.

LEIA TAMBÉM: Vendas de caminhões cresceram 8,7% em julho de 2020

Segundo o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, a maioria das fabricantes ainda está operando com apenas um turno. “Há algumas trabalhando em dois, mas não por causa da (alta) demanda. É uma readequação dos processos de segurança.” Na comparação com julho de 2019 (10.900 unidades), a produção de caminhões em julho recuou 37,5%.

Alta na produção de caminhões

O aumento no ritmo de produção de caminhões em julho deve ser visto com cuidado, segundo a Anfavea. A alta de 22,3% ante os resultados de junho refere-se a pedidos feitos antes da paralisação das fábricas, de acordo com o vice-presidente da Anfavea, Gustavo Bonini.

O executivo afirma que o aumento nos volumes em julho foram impulsionados principalmente pelo agronegócio e por setores essenciais. É o caso do transporte de bebidas, combustíveis, alimentos e equipamentos médicos, por exemplo.

Esses setores ajudam a reduzir – ao menos em parte – os impactos da baixa demanda em alguns segmentos. É o caso, por exemplo, dos pesados. Dos 9.110 caminhões vendidos em julho no Brasil, 5.235 (57,46%) eram dessa categoria. Os dados são da Anfavea. Confira aqui a lista dos caminhões mais vendidos em julho de 2020.

A Anfavea prevê que em 2020 os emplacamentos de caminhões no Brasil ficarão em torno de 65 mil unidades. Se a projeção se confirmar, significará queda de 36% ante as vendas de caminhões em 2019. No caso dos ônibus, a estimativa é de retração de 52% nas vendas. Em números absolutos, isso representa 10 mil unidades.

Produção de ônibus para o Caminhos da Escola

A produção de ônibus também está em ritmo lento no Brasil. Em julho, foram fabricadas 1.237 unidades no Brasil. Esse volume é o pior para o mês de julho desde 1999, quando a indústria entregou 1.049 ônibus. As informações também foram divulgadas pela Anfavea.

Na comparação com junho (1.385), a queda foi de 10,7%. O volume de produção de julho de 2020 é 53,1% que o registrado no mesmo mês do ano passado. Em julho de 2019 foram fabricados 2.600 ônibus no Brasil.

Bonini diz que a produção de ônibus só não caiu mais porque está sendo sustentada pelo Programa Caminhos da Escola, do governo federal. “Tem sido essencial para resgatar um pouco do volume de um dos setores mais atingidos pela crise”, diz o executivo.

O programa foi criado em 2007 para viabilizar a compra de veículos para o transporte escolar de alunos da educação básica que residem na zona rural. Tem como objetivo renovar a frota, dar segurança ao transporte de estudantes e reduzir os índices de evasão escolar. Segundo Bonini, o programa deve impactar positivamente a produção de ônibus nos próximos meses.

Anfavea quer adiamento do Proconve P8 para 2025

Durante a divulgação dos números mensais, a Anfavea informou que pretende pedir o adiamento da entrada em vigor do Proconve P8. A oitava fase do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores deve entrar em vigor no Brasil em 2023. O programa brasileiro é equivalente ao Euro 6, que já está em vigor na Europa.

Moraes afirma que um dos motivos para o pedido de adiamento é a queda nas vendas. Segundo o presidente da Anfavea, a crise gerada pelo novo coronavírus causou perda de 40% da receita do setor em 2020. O executivo diz que as fabricantes continuam apoiando o programa de controle de poluição por veículos.

“Nós estamos comprometidos com o Proconve desde o início, na década de 1980. Foram feitos investimentos e esforços mensuráveis durante todo esse período e é injusto colocar o ônus da poluição das cidades nos veículos atualmente em produção”, afirma o executivo. De acordo com a Anfavea, para implementar a nova fase do programa (para veículos leves e pesados), serão necessários investimentos de cerca de R$ 12 bilhões.

Notícias relacionadas