Fraude do Arla pesa no bolso e na saúde

Fornecedora do reagente tem solução que elimina risco de uso do produto fora das especificações ou contaminado

Operação do Ibama e da Polícia Federal Foto: Ibama/Fotos Públicas

A introdução da fase do 7 do Proconve, Programa de Controle de Poluição do Ar por Veículo, equivalente ao Euro 5, trouxe ao País avanços tecnológicos e maturidade em relação à legislação ambiental. Temas caros como a disponibilidade do combustível correto, no caso o diesel com menos enxofre (S10), e a oferta de veículos adequados foram superados. Um dado, porém, na cena do trânsito das cidades e das estradas brasileiras sugere andar na contramão do patamar alcançado.

O mais recente levantamento da Afeevas, Associação dos Fabricantes de Equipamentos para Controle de Emissões Veiculares da América do Sul, mostrou que o consumo de Arla 32 ficou 50% menor do que deveria para abastecer a frota de caminhões que precisam do produto para circular. O cenário se apresenta assustador, afinal, de acordo com as fabricantes de veículos, um caminhão com tecnologia Euro 5 sem o uso de Arla, polui tanto quanto cinco caminhões da década de 90.

O Arla, de Agente Redutor Líquido de Óxido de Nitrogênio Automotivo, é um reagente composto de 32% de ureia em água desmineralizada. Em conjunto com o sistema SCR (Redução Catalítica Seletiva), tecnologia de pós-tratamento de gases empregada pelas montadoras a fim de adequar os veículos à legislação ambiental, neutraliza a emissão de óxido de nitrogênio, NOX, um dos mais nocivos ao meio ambiente e à saúde da população. Ao ser pulverizado nos gases de exaustão do motor, o Arla transforma, por reação química, o NOx em nitrogênio e água, elementos inertes e inofensivos.

Nas estradas a fraude ocorre de diversas maneiras, desde de produtos feitos em fundo de quintal com o emprego de ureia agrícola, totalmente desaconselhável, à instalação dos chamados emuladores ou, como são conhecidos chips paraguaios. Uma versão tosca do que o mundo viu no caso da Volkswagen com o Dieselgate. O dispositivo eletrônico instalado no painel do caminhão “engana” os sensores do sistema de pós-tratamento, fazendo-os admitir a presença do Arla no circuito, quando na verdade não há pulverização do produto.

O Arla, sem dúvida, trouxe um custo a mais na operação de transporte, em média, cada 1.000 litros de diesel consumidos são necessários 50 litros do reagente. Um galão de 20 litros de Arla custa nos postos de serviço entre R$ 45 e R$ 50. A burla, no entanto, parece não compensar. O uso do produto fora das especificações ou deixar de usá-lo condena o sistema de pós-tratamento. No mercado, um catalizador pode chegar a custar R$ 20 mil. Depois, a fraude é tanto um crime ambiental quanto fere o Código Nacional de Trânsito, com penas de até R$ 50 milhões.

O mercado transportador vem encontrando medidas mais seguras para se proteger das burlas, principalmente aquelas cometidas por fabricantes duvidosos, fornecedores de Arla fora das especificações adequadas.

A solução oferecida pela GreenChem é um exemplo. A empresa desenvolveu tanques de armazenamento com sistema de abastecimento próprio para serem instados na garagem das empresas. “Por atuar em toda a cadeia do Arla, da produção à distribuição, permite à empresa desenvolver um processo dedicado”, conta Achilles Liambos, diretor geral da GreenChem do Brasil. “É um sistema, no entanto, para os empresários que não querem compactuar com fraudes.”

De acordo com o executivo, a solução da GreenChem promete garantia de qualidade da produção ao consumo, com reservatórios e caminhões distribuidores que só armazenam e transportam Arla 32. Os tanques dedicados nas empresas transportadoras bombeiam 40 litros do produto por minuto e contam com sistema de alarme que impede transbordamento ao abastecer o veículo. “O transportador também não tem que se preocupar com o reabastecimento dos tanques. O equipamento é monitorado por telemetria, que emite relatórios diários a respeito do volume de Arla nos reservatórios, o que nos aciona para providenciar o reabastecimento.”


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