MAN avança em projeto de internacionalização

Estimativa de crescimento de 20% na produção em 2018 será alavancado pelas exportações

MAN no México Foto: MAN Latin América

Os resultados cada vez mais encorpados nas vendas de caminhões dos últimos meses fazem com que os dirigentes das montadoras apostem no fim da crise no segmento. O presidente e CEO da MAN Latin America Roberto Cortes já trabalha com estimativa de um crescimento de 15% a 20% na produção de Resende (RJ) no ano que vem, considerando altas de 10% nas vendas do mercado do interno e de 20% nas exportações, volumes que poderão chegar em torno de 16.500 e 12.000, respectivamente.

“Pessimismo e desânimo são coisas do passado. Com o descolamento da economia da política e a necessidade de renovação de frota do transportador, certamente estamos iniciando um novo ciclo positivo”, justifica.

Cortes lembra, no entanto, que ainda há muito caminho pela frente para recuperar o que foi o mercado de caminhões em 2011, o pico da indústria, de quase 173.000 unidades vendidas no mercado interno. “Não se recupera 75% de queda acumulada do dia para a noite. A situação está melhor. Hoje a fábrica já trabalha cinco dias por semana em um turno com algumas horas extras, mas em passado recente eram três turnos de trabalho.”

Para os crescimentos estimados, o presidente da MAN diz estar focado em pilares como produto, rede, internacionalização da empresa e o apoio do investimento de R$ 1,5 bilhão para o período de 2017 a 2021, divulgado no fim do ano passado. No que diz respeito ao primeiro item, a montadora recentemente lançou linha inédita de caminhões Delivery para distribuição urbana de carga que, segundo Cortes, foi muito bem recebida tanto pelo mercado nacional quanto pelos internacionais.

A rede, de acordo com Cortes, segue saudável, apesar dos tempos bicudos passados. “Tivemos ajustes, mas nenhuma revenda quebrou. A prioridade nos últimos anos foi a área financeira para, agora, estarmos mais fortes na retomada.”

O executivo conta que a MAN sofreu com a crise em virtude da alta dependência da empresa com o mercado interno. Em 2016, a elaboração de um plano de ataque com olhos para além das fronteiras brasileiras tem contribuído com novas percepções. Nele a montadora se esforça para que a participação de suas exportações na produção de Resende salte dos atuais 10% para 30%, volumes entre 18.000 a 20.000 unidades. “Porque não liderar ou mesmo dividir a liderança em outros países nos quais já atuamos?”, questiona.

A corrida internacional parte por duas frentes, desenvolver engenharia para o cliente local a fim de entregar o produto mais adequado ao mercado ou constituir produção local. “Adaptar simplesmente o caminhão ou o chassi brasileiro para o exterior não se mostra a melhor estratégia. É necessário entender as necessidades e as características de cada país”, diz Cortes.

A partir deste conceito, a empresa enumera exemplos bem-sucedidos, como o Constellation para o mercado Argentino e o recente desenvolvimento de um chassi específico para o México. Segundo Cortes, as ações já mostram resultados práticos. Se em 2016 a montadora contabilizou por volta de 6.000 unidades exportadas, em 2017 deverá fechar com 9.000 veículos embarcados e, no que vem, alcançar os 12.000. “É metade do caminho que pretendemos percorrer”, resume.

A outra de via de ataque, se torna realidade em abril, quando a montadora inaugurará uma unidade fabril na Nigéria, a segunda no continente depois da África do Sul. Por lá, a empresa montará em regime de SKD, caminhões da família Worker, com a estimativa de entregar 1.000 unidades nos próximos cinco anos. “Não descartamos nenhum mercado, apenas ponderamos se é melhor ter fábrica ou simplesmente exportar. Mas fazer negócio no Brasil, ainda é prioritário.”


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