Abcam pede o fim das interdições nas estradas

Ameaça de intervenção das forças de segurança faz entidade solicitar desobstrução das vias

Greve de caminhoneiros
Paralisação dos caminhoneiros na Via Dutra, RJ Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil/Fotos Públicas

A Abcam, Associação Brasileira dos Caminhoneiros, principal entidade contrária ao acordo entre a categoria e o governo, divulgou nota na qual pede aos associados desobstruírem as vias interditadas de todo o País. A reação veio logo após pronunciamento do presidente da República, Michel Temer, no início da tarde de sexta-feira, 25, em que sugere o uso das forças de segurança para liberar as estradas.

“Preocupada com a segurança dos caminhoneiros, a Abcam vem publicamente pedir que retirem as interdições nas rodovias, mas mantendo as manifestações de forma pacífica, sem obstrução das vias”, diz a nota assinada pelo presidente da associação José da Fonseca Lopes, que pede para que os caminhoneiros “respeitem o decreto presidencial.”

A nota lembra ainda mais de 504 interdições em todo o País e adianta que “continua sem assinar qualquer acordo com o Governo e mantém o pedido de retirada do PIS/Confins sobre o óleo diesel.”

Na noite de quinta-feira, 24, o governo e entidades que representam a categoria assinaram Termo de Acordo no qual foram atendidas doze reivindicações. Dentre as principais medidas constam o fim da cobrança da alíquota da CIDE (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) em 2018 sobre o óleo diesel, a redução em 10% no preço do óleo diesel para os próximos 30 dias, além de garantir estabilidade por mais 30 dias em eventuais reajustes, a promoção junto aos estados pela possibilidade de isentar o pagamento de pedágio quando o veículo estiver vazio e a autorização para que Conab, a Companhia Nacional de Abastecimento, destine 30% da demanda de frente para cooperativas e profissionais autônomos sem necessidade de licitação.

O Termo de Acordo encerra com a proposta de suspensão da greve por 15 dias, quando então uma nova rodada de negociação ocorreria. Mas com o prosseguimento da greve, o presidente Michel Temer fez pronunciamento dizendo que a categoria não cumpriu com o acordo, sugerindo então o uso das forças de segurança para desobstruir as estradas.

A CNTA, Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos, uma das entidades que assinaram o Termo de Acordo, também reagiu às palavras do presidente em comunicado feito pelo representante da entidade Diumar Bueno. Em vídeo, ele diz que “em nenhum momento, nenhuma das entidades que participaram deste trabalho se posicionou no sentido de comprometer ou desmobilizar esse movimento.”

Em outra ponta da confusão, ainda na quinta-feira, 25, o ministro da Segurança Pública, Raul Jugmann disse que o governo apura se o movimento foi fomentado pelas empresas transportadoras. “Diria que nós temos indícios de que existe, digamos assim, um acordo entre os caminhoneiros autônomos e as distribuidoras e transportadoras. Isso é grave porque isso apresenta indícios de locaute, que é ilegal”, afirmou.

Em resposta à suspeita, a CNT, a Confederação Nacional do Transporte, outra das signatárias do Termo de Acordo, também emitiu nota dizendo que “não participa, não incentiva e não apoia paralisações de caminhoneiros. A instituição também não tem conhecimento da participação de empresas no movimento grevista e, se houver, o empresário responsável deverá ser punido.”

A CNT encerra o comunicado justificando que participou das reuniões dos últimos dias a convite do Palácio do Planalto. “O representante atuou como integrante do grupo de interlocução com as entidades representativas dos motoristas autônomos de caminhão, em busca de uma solução que levasse ao fim das paralisações.”

 


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